A Revolução Cubana deixou o povo de Cuba na mão. Veja cinco justificativas.

Homem atravessa rua enquanto um carro azul passa a seu lado (© Desmond Boylan/AP Images)
Homem atravessa uma rua de Havana enquanto um carro clássico passa a seu lado em 16 de novembro de 2018 (© Desmond Boylan/AP Images)

Este ano marca o 60º aniversário da Revolução Cubana, mas os cidadãos dessa pequena nação socialista continuam a esperar que seu governo cumpra as promessas feitas em 1959. Uma nova Constituição, que será submetida a um referendo minuciosamente analisado em 24 de fevereiro, pode controlar os direitos do povo cubano ainda mais. Aqui estão cinco maneiras que demonstram como o Partido Comunista Cubano deixou seu povo na mão.

Liberdade de expressão restrita

Homem segura camiseta com slogan cubano (© Mariana Bazo/Reuters)
José Daniel Ferrer lidera a União Patriótica de Cuba. Na camiseta que ele está segurando se lê: “Deus, Pátria, Liberdade” em espanhol (© Mariana Bazo/Reuters)

Antes do referendo constitucional de 24 de fevereiro, o governo cubano intensificou a repressão contra figuras da oposição política, como José Daniel Ferrer (acima), líder da União Patriótica de Cuba (Unpacu), o maior grupo dissidente de Cuba. Figuras de oposição como Ferrer pressionaram o regime para que houvesse um processo mais transparente e justo. Em 11 de fevereiro, a polícia cubana invadiu várias casas e escritórios de ativistas da Unpacu, confiscou propriedades, e espancou e deteve vários dissidentes, incluindo Ferrer. Como resultado, dezenas de ativistas da Unpacu iniciaram uma greve de fome.

Estagnação econômica

Duas mulheres atrás do balcão de uma mercearia (© Roberto Machado Noa/LightRocket/Getty Images)
Mercearia subsidiada pelo governo, ou “bodega”, em Cuba (© Roberto Machado Noa/LightRocket/Getty Images)

Prateleiras vazias é algo comum em lojas cubanas. A maioria dos economistas concorda que a má gestão centralizada é a causa e que o governo cubano não permite que o setor privado atinja seu potencial. Em decorrência disso, os cidadãos usam seus parcos salários pagos pelo Estado — que podem chegar a menos de um dólar por dia — a fim de pagar por gêneros alimentícios a preços astronômicos no mercado negro.

Condições de trabalho injustas

Pessoas sentadas em um terminal de aeroporto esperando por avião (© Eraldo Peres/AP Images)
Médicos cubanos esperam para pegar um voo de volta para seu país no aeroporto de Brasília, Brasil, em 22 de novembro de 2018 (© Eraldo Peres/AP Images)

Os médicos cubanos representam um grande fator de exportação. O governo cubano recebe aproximadamente US$ 11 bilhões por ano advindos dos salários de profissionais de saúde que participam das missões médicas do país no exterior. Recentemente, o governo cubano exigiu a volta de seus médicos que trabalhavam no Brasil, em vez de concordar com a exigência do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de que Cuba pagasse um salário justo aos médicos. Oito desses médicos entraram com um processo em Miami contra a Organização Panamericana de Saúde, alegando trabalho forçado.

Acesso limitado à informação

Pessoas sentadas na calçada olhando para seus celulares (© Desmond Boylan/AP Images)
(© Desmond Boylan/AP Images)

A mídia independente em Cuba só existe on-line, mas o acesso à internet é caro demais para a maioria dos cubanos. Irrisórios 600 megabytes de dados por mês — o suficiente para algumas sessões de Skype com a família no exterior — podem custar 25% do salário de um trabalhador. Os usuários obtêm 300 megabytes de “bônus” a fim de usar domínios na “intranet” censurada e sancionada pelo Estado, que é mais prontamente disponível e acessível do que a internet global.

Censura artística

Pessoas sentadas na calçada olhando para seus celulares (© Desmond Boylan/AP Images)
(© Desmond Boylan/AP Images)

Músicos, dançarinos, artistas e escritores de Cuba – celebrados em todo o mundo por sua produção criativa – agora sofrem a indignidade do Decreto 349, exigindo que busquem permissão do governo para realizar, vender ou exibir seu trabalho. Caso contrário, eles enfrentam consequências.