Ações para garantir um futuro sem de Aids para meninas na África

Ntokozo Zakwe, 26, cresceu em uma comunidade sul-africana onde as meninas raramente sonhavam com um futuro seguro, saudável e esperançoso, ou uma vida sem HIV/Aids.

“Não havia mentores ou quem servisse de inspiração. Havia pobreza, estupro e violência”, recordou Ntokozo. “Todos esses fatores nos deixaram vulneráveis ​​ao HIV.”

Atualmente, Ntokozo está cheia de esperança enquanto orienta uma nova geração de meninas em sua comunidade com o intuito de atingir o pleno potencial que possuem, ensinando-lhes maneiras de evitar a gravidez, fazer o teste do HIV e permanecer soronegativas.

Iniciativa Dreams

Ntokozo Zakwe na frente de cartaz sobre a Dreams (© Francesco Rossi/Pivion/Johnson & Johnson)
Ntokozo Zakwe na Conferência Internacional sobre Aids em 2016 (© Francesco Rossi/Pivion/Johnson & Johnson)

Ntokozo é embaixadora de uma iniciativa apoiada pelos EUA conhecida como Dreams, acrônimo para o tipo de mulher que o programa espera desenvolver: determinada, resiliente, empoderada, livre de Aids, orientada e segura. A iniciativa é apoiada pelo Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Combate à Aids (Pepfar) e pelas organizações não governamentais dos EUA e de outros países.

Meninas e mulheres jovens representam 74% das novas infecções por HIV entre adolescentes na África Subsaariana. Desde que começou em 2015, a iniciativa Dreams ajudou a reduzir as infecções por HIV entre adolescentes e mulheres jovens em 85% das comunidades onde o programa opera em 10 países da África Subsaariana, de acordo com novos dados*.

Ajudando meninas a atingirem seu pleno potencial

Manjolina Wendson, 19, da Tanzânia, convenceu 220 adolescentes, mulheres jovens e seus parceiros a fazerem o teste de HIV em sua comunidade. “Como embaixadora da Dreams”, disse ela, “eu me esforço para viver como um exemplo para que outras adolescentes e mulheres jovens possam aprender comigo (…). Eu as incentivo a não perder a esperança, apesar dos muitos desafios por que elas possam estar passando.”

Embora a Dreams se concentre em questões típicas de cuidados de saúde, como testes de HIV e métodos para prevenir a propagação do vírus, a iniciativa também tem como alvo as causas indiretas que contribuem para a vulnerabilidade das meninas ao HIV, incluindo pobreza, isolamento social, violência de gênero, escolaridade inadequada e viés de gênero.

Jovem sentada (Pepfar/Quênia)
Uma participante da iniciativa Dreams no Quênia, um dos vários países da África Subsaariana onde o programa opera (Pepfar/Quênia)

Manjolina atribui o fato de se tornar financeiramente independente e ser capaz de sustentar sua família às habilidades de empreendedorismo que aprendeu através da iniciativa Dreams. “Agora estou ocupada criando roupas tingidas, [e] desenvolvendo sabonetes líquidos e em barra, que vendo e me rendem dinheiro”, diz ela. Manjolina recentemente organizou cinco grupos Dreams em sua comunidade que ensinam técnicas de fabricação de sabão e tingimento têxtil para meninas e mulheres jovens.

Agnelia Vasco Figueredo, 18, embaixadora da Dreams de Moçambique, disse que dá ênfase aos direitos das meninas: “Eu sinto a necessidade de lutar pelas outras meninas que não têm voz. Sei que agora sou uma fonte de inspiração para outras meninas.” Ela ensina meninas a apresentar queixas judiciais em casos de violência de gênero.

“Meu trabalho é muito importante porque ajuda outras meninas a fazer escolhas responsáveis ​​e conscientes a fim de ter uma vida saudável e um futuro brilhante”, disse Agnelia.

* site em inglês

 Gráfico mostra declínio de 85% nos diagnósticos de HIV nos 10 países em que a iniciativa Dreams opera (Pepfar, 2018)