O dia 6 de junho de 2022 marca o 78º aniversário do Dia D, quando a maior operação militar anfíbia dos tempos modernos desembarcou 156 mil soldados aliados por mar e ar em cinco cabeças de ponte na Normandia, França. O Dia D foi o início das operações aliadas na Segunda Guerra Mundial que libertariam a Europa Ocidental e derrotariam a Alemanha nazista 11 meses depois.

A maioria das tropas aliadas que desembarcaram nas praias era de Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, mas tropas de dez outros países também participaram do Dia D e da Batalha da Normandia: Austrália, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia e Tchecoslováquia.

O Dia D ajudou a forjar um vínculo transatlântico que continua a garantir a liberdade e a segurança de milhões de pessoas.

Lembrando a época da guerra

Antes do Dia D, os Aliados ocidentais já haviam travado duras campanhas no norte da África e na Itália. Andrei Gromyko, embaixador soviético nos EUA de 1943 a 1946, reivindicou “crédito pela parte militar” que seu país desempenhou na guerra, “mas ele também não hesitou em dar crédito aos americanos e britânicos por sua luta”, noticiou o New York Times em 21 de outubro de 1943. Gromyko “expressou agradecimento pela (…) assistência material que a Rússia recebeu por meio de empréstimos e arrendamentos*”, o programa dos EUA que enviou equipamentos para o Exército soviético.

(A Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade observa que, nos últimos anos, o atual presidente da Rússia — Vladimir Putin — tentou sugerir que as forças soviéticas derrotaram Hitler quase sozinhas**.)

Momento decisivo para a democracia

O jornalista Roy Wenzl escreve sobre o Dia D** que “em sua estratégia e escopo — e sua enorme influência para o futuro do mundo livre — os historiadores o consideram uma das maiores conquistas militares de todos os tempos”.

Tropas do Dia D desembarcando de um barco (© Photo12/UIG/Getty Images)
Tropas aliadas desembarcam nas praias da Normandia, França, 6 de junho de 1944 (© Photo12/UIG/Getty Images)

O objetivo dos Aliados ocidentais, diz Wenzl, era “acabar com o Exército alemão e, por extensão, derrubar o bárbaro regime nazista de Adolf Hitler”.

As perdas das forças aliadas foram acentuadas durante a ofensiva, com 12 mil mortos, feridos e desaparecidos. Mas o Dia D deu início à libertação da França ocupada pelos alemães e lançou as bases da vitória dos Aliados na Frente Ocidental.

“A maioria das batalhas é rapidamente esquecida”, diz Wenzl. Mas todas as nações livres, diz ele, têm uma dívida com os soldados aliados do Dia D.

‘Os tempos sombrios voltaram’

Invocando “a Grande Guerra Patriótica” (outro termo para a Segunda Guerra Mundial na Rússia), Putin procura justificar sua agressão contra a Ucrânia “repetindo sua falsa afirmação de que a Ucrânia é governada por nazistas controlados pelo Ocidente”, de acordo com uma reportagem da NBC News de 9 de maio.

Volodymyr Zelenskyy cumprimentando homem em um leito de hospital (© Assessoria de Imprensa Presidencial Ucraniana/AP Images)
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, cumprimenta um soldado ferido em 13 de março, durante sua visita a um hospital em Kiev, na Ucrânia (© Assessoria de Imprensa Presidencial Ucraniana/AP Images)

Mas o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, neto de um sobrevivente do Holocausto, traça uma linha reta desde a busca dos nazistas pelo domínio da Europa até a agressão de Putin contra a Ucrânia.

“Décadas após a Segunda Guerra Mundial, a escuridão retornou à Ucrânia”, disse Zelensky em um discurso de 8 de maio***. “O mal voltou. Novamente! Com um uniforme diferente, com slogans diferentes, mas com o mesmo propósito.”

* site em inglês, francês, chinês e russo
** site em inglês
*** site em inglês, ucraniano e russo