Antílopes raros retornam à África

165

Um tipo de antílope cujos chifres eram comercializados como chifres de unicórnios no período medieval e que posteriormente se tornou extinto na natureza, está retornando à África.

Chamado órix-cimitarra, ele é o maior mamífero a ser extinto na natureza nos últimos 20 anos. Mas no ano passado, 25 foram reintroduzidos à natureza no Chade.E em março deste ano, três filhotes de órix se juntaram ao rebanho.

Um órix-cimitarra parado em campo cercado no Chade (©Agência de Proteção Ambiental de Abu Dhabi)
Um órix-cimitarra no Chade na reserva de caça no Chade (© EAD)

O órix-cimitarra — animal do deserto com chifres longos e característicos — já vagueou* de Mauritânia e Marrocos no oeste até Egito e Sudão no leste. Esse antílope que vive em rebanho ficou extinto na natureza nos anos 1980 devido a fatores como caça não regulamentada, seca e perda de hábitat. Cerca de 6 mil vivem em cativeiro.

A reintrodução é um resultado de esforços por parte da Agência de Proteção Ambiental-Abu Dhabi (EAD) e do Programa de Reintrodução do Órix-Cimitarra do governo do Chade.

“Restaurar o órix à vida selvagem terá um impacto enorme e positivo na conservação e gestão de todo o ecossistema de pastagem do Sahel”, disse Steve Monfort, diretor do Instituto de Biologia da Conservação do Instituto Smithsoniano. Ele estava no Chade quando os órixes chegaram de avião em março de 2016 e foram levados para a Reserva de Caça Ouadi Rimé-Ouadi Achim.

Homem parado sobre uma jaula elevando porta para soltar um órix (©Agência de Proteção Ambiental de Abu Dhabi)
O rebanho permaneceu na reserva do Chade antes de ser solto na natureza em 2016 (© EAD)

Antes de o rebanho ser solto na natureza, cada órix foi equipado com um GPS por satélite preso na coleira para que os cientistas do Instituto de Biologia da Conservação do Instituto Smithsoniano nos Estados Unidos e da Sociedade Zoológica de Londres pudessem monitorá-lo. Guardas-florestais treinados pela EAD e pelo Fundo para a Conservação do Saara monitoram o rebanho no Chade.

O plano é levar novos carregamentos de órix em intervalos regulares, e assim “semear ao longo dos próximos três ou quatro anos, uma população selvagem viável”, disse John Newby, presidente-executivo do Fundo para a Conservação do Saara.

“Provavelmente podemos afirmar que não há nenhum outro projeto de conservação desse gênero.”

O Instituto Smithsoniano vai fazer uma apresentação sobre o retorno do órix à natureza durante sua celebração “Otimismo na Terra”, que coincide com o Dia da Terra, em 22 de abril. Uma versão dessa matéria foi publicada em 16 de maio de 2016.

* site em inglês