Blinken promete apoio à Ucrânia durante viagem à Europa

Antony Blinken e o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Kuleba, se cumprimentam com um toque de cotovelos (© Alex Brandon/AP Images)
O secretário de Estado, Antony Blinken, (à esquerda) e o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba, se cumprimentam com um toque de cotovelos no Ministério das Relações Exteriores em Kiev, Ucrânia, em 19 de janeiro (© Alex Brandon/AP Images)

Os Estados Unidos e aliados europeus continuam a enfatizar a diplomacia como a solução para a crise na Ucrânia, enquanto a Rússia aumenta as tensões com uma escalada militar não provocada na fronteira da Ucrânia.

De 18 a 21 de janeiro, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, visitou Kiev, Ucrânia; Berlim e Genebra a fim de discutir os esforços em curso para impedir novas agressões da Rússia contra a Ucrânia.

“Fomos claros: se alguma força militar russa atravessar a fronteira da Ucrânia, isso será considerado uma nova invasão”, declarou Blinken em 21 de janeiro em Genebra. “Serão recebidos com uma resposta rápida, severa e unida dos Estados Unidos e de nossos parceiros e aliados.”

Kiev

Antony Blinken, o presidente ucraniano, Zelenskyy, e outros sentados ao redor de uma mesa (Depto. de Estado/Ronny Przysucha)
Blinken (à direita) se reúne com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, (à esquerda) em Kiev, Ucrânia, em 19 de janeiro (Depto. de Estado/Ronny Przysucha)

Blinken começou sua viagem em Kiev, onde ele se reuniu com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, e o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba.

O secretário afirmou que estava na Ucrânia “para reafirmar o apoio inabalável dos Estados Unidos à Ucrânia em um momento em que sua segurança, sua prosperidade, sua democracia, seu direito fundamental de existir como nação soberana e independente estão enfrentando um desafio sem precedentes da Rússia”.

Ele observou que a Rússia minou a soberania da nação em 2014 quando invadiu a Ucrânia, tomou a Crimeia e instigou conflito na região de Donbass.

Dentre as medidas repressivas da Rússia na Ucrânia estão:

  • Isolar os ucranianos que vivem na Crimeia e na região de Donbass do resto da nação.
  • Manter centenas de ucranianos como prisioneiros políticos.
  • Interferir nas eleições e na política da Ucrânia.
  • Bloquear a energia e o comércio.
  • Lançar ataques cibernéticos.

“O povo ucraniano escolheu um caminho democrático e europeu em 1991”, disse Blinken. “E, infelizmente, desde então vocês têm enfrentado agressões implacáveis de Moscou.”

Berlim

Quatro pessoas posando para foto em frente a uma fileira de bandeiras e um mapa-múndi (Depto. de Estado/Ronny Przysucha)
O Quadrilátero Transatlântico, composto (a partir da esquerda) pelo ministro de Estado do Reino Unido para o Oriente Médio, África do Norte e América do Norte, James Cleverly; o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian; a chanceler alemã, Annalena Baerbock, e Blinken se reúnem em Berlim em 20 de janeiro (Depto. de Estado/Ronny Przysucha)

O secretário então viajou para Berlim, cidade que já foi dividida durante a Guerra Fria, quando a Alemanha estava dividida em duas: Oriental e Ocidental.

“Apesar das ameaças imprudentes de Moscou contra a Ucrânia e a perigosa mobilização militar — apesar de sua ofuscação e desinformação — os Estados Unidos, juntamente com nossos aliados e parceiros, têm oferecido um caminho diplomático para sair dessa crise artificial”, afirmou Blinken durante discurso na Academia de Ciências Berlin-Brandenburg em 20 de janeiro.

Embora a Rússia declare que esteja agindo em legítima defesa, sua postura está causando maior instabilidade. O secretário observou que o presidente russo, Vladimir Putin, disse que não acredita que a Ucrânia seja uma nação soberana. Putin deixou claras suas intenções sobre uma invasão em 2008, quando disse ao então presidente George W. Bush que “a Ucrânia não é um país de verdade”. E, em 2020, Putin disse que os russos e os ucranianos são “a mesma coisa”, afirmou o secretário.

Blinken disse que o atual conflito é internacional porque uma nação não pode ditar política externa fora de suas fronteiras ou subverter a vontade de outra nação sem haver consequências.

A Rússia deslocou 100 mil tropas perto das fronteiras da Ucrânia e estacionou tropas dentro da Moldávia sem seu consentimento, além de enviar tropas e equipamentos a Belarus esta semana.

“A Rússia continua a intensificar sua ameaça à Ucrânia”, afirmou Blinken em Berlim. “Vimos isso novamente nos últimos dias com uma retórica cada vez mais belicosa, aumentando suas forças nas fronteiras da Ucrânia, incluindo agora em Belarus.”

Genebra

Antony Blinken aperta a mão do ministro das Relações Exteriores russo, Lavrov (© Alex Brandon/AP Images)
Blinken cumprimenta o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, antes de sua reunião em 21 de janeiro em Genebra (© Alex Brandon/AP Images)

Blinken se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em 21 de janeiro em Genebra. O secretário disse que os dois tiveram uma discussão “franca e substantiva”. 

Ele perguntou a Lavrov como as táticas agressivas da Rússia desde 2014 ajudam sua alegação de legítima defesa. “Muitas das coisas que você fez nos últimos anos precipitaram praticamente tudo o que você diz que quer evitar”, disse Blinken a Lavrov.

Mulher chorando perto de parede com fotos de pessoas (© Sergei Supinsky/AFP/Getty Images)
Uma mulher chora no memorial dos ativistas mortos na Praça Maidan (Praça da Independência) durante uma cerimônia em 21 de novembro de 2020, em Kiev, Ucrânia (© Sergei Supinsky/AFP/Getty Images)

Por exemplo, antes de 2014:

  • 70% dos ucranianos tinham uma impressão favorável da Rússia. Agora apenas 25% ou 30% têm.
  • 25% dos ucranianos queriam se juntar à Otan. Agora 60% apoiam a associação.
  • Os gastos em defesa por parte dos aliados da Otan eram menores do que os de hoje. A organização aumentou o financiamento devido à agressão da Rússia.

O secretário havia observado antes que os Estados Unidos e seus parceiros europeus realizaram mais de cem reuniões nas últimas semanas.

“Estamos unidos em nosso compromisso de encontrar um caminho pela frente através da diplomacia e do diálogo, mas igualmente em nossa determinação de impor consequências enormes caso a Rússia escolha o caminho do confronto e do conflito.”