Artista segurando lápis posando em frente a um ônibus decorado com vasos e lápis (© Suzanne Kreiter/The Boston Globe/Getty Images)
O artista Nari Ward em 2002, quando era artista residente no Museu Isabella Stewart Gardner em Boston (© Suzanne Kreiter/The Boston Globe/Getty Images)

Artistas caribenhos-americanos oferecem inúmeras tradições aos amantes da arte dos EUA.

“Não existe uma identidade caribenha-americana única”, disse o presidente Biden em uma proclamação*, referindo-se aos cerca de 8 milhões de caribenhos americanos* que vivem hoje nos Estados Unidos. “A mistura de culturas, idiomas e religiões vivos nos Estados Unidos e nas ilhas reflete a diversidade de espírito que define a história americana.”

Aqui estão imagens de obras de arte de cinco artistas caribenhos-americanos que trabalham em uma variedade de mídias. Eles abordam questões que abrangem desde o colonialismo dentro da diáspora afro-caribenha até as mudanças climáticas.

Ana Mendieta (1948–1985)

Caixão ou peça de arte em forma de ponta de flecha feito de terra e aglutinante em madeira (Museu Hirshhorn)
Ana Mendieta, sem título, 1984. Terra e aglutinante sobre madeira, 156,2 x 49,5 x 2,5 cm. Museu Hirshhorn e Jardim de Esculturas, Instituto Smithsoniano, Washington, DC, Adquirido pelo Museu, 1995 © Acervo do Espólio de Ana Mendieta. Cortesia: Galerie Lelong & Co. Licenciado por Artist Rights Society, Nova York. Crédito da foto: Lee Stalsworth. Museu Hirshhorn e Jardim de Esculturas

Ana Mendieta nasceu em Havana e foi morar nos Estados Unidos com a irmã quando Fidel Castro assumiu o poder em 1960.Ela estudou Pintura na Universidade de Iowa antes de se dedicar a fotografia, escultura e “obras corporais feitas de terra”, nas quais usou lama e outros materiais naturais para criar Siluetas, ou seja, silhuetas de seu próprio corpo. Ao imprimir seu corpo na superfície da terra, ela conectou a forma humana ao mundo natural. Ana é lembrada como uma artista proeminente cujo trabalho combina preocupações ambientais com a teoria feminista dos anos 1970. “Questionar nossa cultura é questionar nossa própria existência, nossa realidade humana”, disse ela em 1980 para uma exposição na Galeria A.I.R. em Nova York*. “Isso, por sua vez, se torna uma busca, um questionamento de quem somos e como nos realizaremos.”

Didier William (nascido em 1983)

O pintor americano-haitiano Didier William mistura técnicas tradicionais de impressão com desenhos inspirados em colagens para criar elaboradas pinturas multimídia. “Os tipos de camadas que inevitavelmente fazem parte da história de uma família quando eles precisam se mudar, encontrei essas camadas em um nível material através da impressão”, disse ele ao ShareAmerica.

“Técnica e formalmente, quando olhamos para uma impressão, olhamos para uma série de camadas empilhadas que o observador pode ler como um todo de uma imagem. Encontrei muita analogia nesse sistema de camadas com o tipo de história que estou tentando contar.”

Pintura de um homem subindo nos ombros de dois outros homens (© Didier William)
Just Us Three (Somente nós três), 2021, escultura em acrílico, óleo e madeira sobre painel, imagem Cortesia da Galeria James Fuentes (© Didier William)

Professor de Arte na Universidade Rutgers, William fez mestrado em Artes Plásticas pela Universidade de Yale e bacharelado pelo Instituto e Faculdade de Arte de Maryland. Suas pinturas contam a história de como é ser um imigrante nos Estados Unidos — que é o que ele e sua família eram em 1989 — através das lentes da história, da mitologia, do vodu e de outras religiões, bem como de memórias da infância.

“A linguagem é muito importante no trabalho porque quando você não fala a língua, você tem de realizar o trabalho de tradução constantemente”, diz ele sobre suas pinturas.

Felix Gonzalez-Torres (1957–1996)

Felix Gonzalez-Torres nasceu em Guáimaro, Cuba, e vive em Porto Rico com seu tio desde a adolescência. Ele recebeu seu diploma de bacharel pelo Instituto Pratt na Cidade de Nova York e seu mestrado em Artes Plásticas pelo Centro Internacional de Fotografia. Gonzalez-Torres, que ganhou bolsas da Fundação Nacional para as Artes, fazia parte do coletivo de artistas chamado Grupo Material, que acreditava no uso da arte para alcançar a justiça social.

Mulher olhando por uma janela cercada por cortinas feitas de contas (© KC McGinnis/The Washington Post/Getty Images)
Sem título (Água) no Centro de Arte de Des Moines em sua exposição de 2019, Queer Abstraction (Abstração queer, em tradução livre) (© KC McGinnis/The Washington Post/Getty Images)

Ele incluiu imagens minimalistas e objetos usados a fim de abordar a crise da Aids dentro da comunidade gay. Seus trabalhos — como Untitled (Portrait of Ross in L.A.) (Sem título – Retrato de Ross em L.A., em tradução livre) e Untitled (Water) (Sem título – Água, em tradução livre) — foram inspirados ao observar seu parceiro, Ross Laycock, “desaparecer como uma flor seca” em decorrência da Aids. “Quando ele estava se tornando menos pessoa, eu o amava mais”, disse Gonzalez-Torres em uma entrevista de 1995*. “Cada lesão que ele tinha, eu o amava mais.” 

O próprio Gonzalez-Torres morreu de Aids em 1996, mas seu trabalho ainda é exibido em museus de arte em todo o mundo, fazendo os espectadores se lembrarem da devastadora história da epidemia.

Firelei Báez (nascido em 1981)

Arte em mídia mista com esculturas, lona pintada à mão e folhagem (Cortesia do artista e de James Cohan, Nova York)
A instalação de Báez, intitulada raízes quando são jovens e mais tenras, de 2018, inclui duas pinturas, esculturas de papel machê pintadas à mão, lona pintada à mão, tela de galinheiro e folhagem (Cortesia do artista e de James Cohan, Nova York)

Nascida na República Dominicana, filha de mãe dominicana e de pai haitiano, Firelei Báez estudou Arte em Nova York, onde mora até hoje. Ela cria pinturas e instalações em grande escala que tecem temas da diáspora africana no Caribe com o folclore dominicano.

Um tema recorrente são as interpretações de Firelei sobre os corpos das mulheres, especificamente a ciguapa, mulher mitológica do folclore dominicano que se transforma em vários animais e engana os homens. “Ao ler minhas pinturas de ciguapas, peço ao espectador que aceite seus próprios sentimentos em relação ao corpo de uma mulher”, diz ela em um vídeo de 2019 para a Art21*. “A ciguapa é essa figura de um trapaceiro. Ela é uma sedutora. Firelei retrata outros tipos de mulheres caribenhas, como a imagem acima, que recontextualiza a Revolução Haitiana de 1791.

Nari Ward (nascido em 1963)

Pessoas andando em torno de esculturas em forma de bonecos de neve (© Sean Drakes/LatinContent/Getty Images)
Esculturas de mídia mista intituladas Mango Tourist de Nari Ward estão em exibição no Museu de Arte Perez em Miami durante a Art Basel 2015 (© Sean Drakes/LatinContent/Getty Images)

Nari Ward nasceu em Kingston, Jamaica, e se mudou para os Estados Unidos com sua família quando tinha 12 anos. Ele agora mora na cidade de Nova York, onde é chefe do Departamento Estúdio de Arte na Faculdade Hunter.

Ward cria grandes obras multimídia que usam material reciclado — como cadarços, carrinhos de bebê ou caixas registradoras — com o objetivo de explorar as experiências dos imigrantes e a discriminação racial. “Essa ideia de que você pode reivindicar sua própria história é muito importante”, disse ele em 2017, depois de ganhar o Prêmio Vilcek de Belas Artes*. “Todos nós viemos de algum lugar, e às vezes é necessário estar perdido para que você descubra as coisas por si mesmo. E sinto que é sobre isso que a arte deveria ser.”

* site em inglês