O movimento para salvaguardar os direitos das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneras e intersexuais (LGBTQI+) nos Estados Unidos é parte de uma tradição americana mais ampla de assegurar os direitos das minorias.

Essa tradição se iniciou quando o presidente Ulysses S. Grant sancionou a Lei de Direito Civis de 1871*. Atualmente reconhecida como a primeira legislação mundial destinada a defender os direitos de uma classe de pessoas, o estatuto buscou proteger os afro-americanos dos ataques da organização racista branca Ku Klux Klan.

À medida que a industrialização atraía mais pessoas das áreas rurais para as cidades no início do século 20, as comunidades LGBTQI+ começaram a se estabelecer em áreas urbanas em todos os Estados Unidos

Em 1924, a Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos, fundada pelo ativista Henry Gerber*, com sede em Chicago, tornou-se a mais antiga organização de direitos dos gays de que se tem notícia. Ela foi seguida em 1950 pela Sociedade Mattachine, primeira organização nacional de direitos dos gays, e pela organização dos direitos das lésbicas, Daughters of Bilitis* (Filhas de Bilitis), em 1955.

Em 1962, Illinois se tornou o primeiro estado dos EUA a descriminalizar o relacionamento consensual entre pessoas adultas do mesmo sexo em ambiente privado.

Os protestos de Stonewall de 28 de junho de 1969 marcaram um divisor de águas nos esforços para proteger os direitos das pessoas LGBTQI+, expandindo uma campanha liderada por um grupo relativamente pequeno de ativistas em um movimento generalizado.

Ativistas dos direitos LGBTQI+ fazem manifestação na Praça Sheridan em Nova York antes do início de uma marcha de protesto através de Manhattan em 8 de junho de 1977 (© AP Images)

Em 1973, a Associação de Psiquiatria dos EUA retirou a homossexualidade da sua lista oficial de distúrbios mentais. E em 14 de outubro de 1979, a Marcha Nacional para Washington por Direitos de Lésbicas e Gays atraiu cerca de 75 mil homens gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transgêneras e seus aliados heterossexuais, e estabeleceu os direitos LGTBI como uma questão nacional.

Ao longo dos últimos 30 anos, milhões de americanos acabaram percebendo que muitas das pessoas que conhecem — seus vizinhos, colegas, amigos e familiares — são LGBTQI+. Este reconhecimento, juntamente com uma imagem positiva das pessoas LGBTQI+ na televisão e no cinema dos EUA, tem estimulado uma maior aceitação das pessoas LGBTQI+ e apoio aos seus direitos iguais enquanto cidadãos americanos.

Pesquisas recentes do Centro de Pesquisa Pew indicam que os americanos, em sua maioria, apoiam os direitos LGBTQI+.

Hoje, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado em todos os EUA, graças a uma decisão histórica da Suprema Corte dos EUA, tomada em 26 de junho de 2015. Nessa data, a Suprema Corte decidiu que todos os 50 estados dos EUA devem conceder licença de casamento para pessoas do mesmo sexo e reconhecer os casamentos entre pessoas do mesmo sexo realizados em outros estados.

*site em inglês

Uma versão deste artigo foi publicada originalmente em 1 de junho de 2016.