Quando o egípcio Mostafa Hemdan viu um vídeo há alguns anos sobre como os produtos eletrônicos jogados no lixo poluem o meio ambiente com metais perigosos, isso o fez pensar.

O vídeo dizia que com a reciclagem desses produtos as pessoas poderiam manter os materiais perigosos fora dos aterros e reciclar as peças para reutilização em outros produtos.

“Perguntei a um amigo”, recorda Hemdan, “por que não abrir uma empresa nessa área?”

Cinco anos depois, Hemdan é o executivo-chefe da RecycloBekia*, uma das primeiras empresas do mundo árabe a reciclar lixo eletrônico. O nome da empresa é uma brincadeira com o termo árabe egípcio ruba bekia, que significa “coisas velhas”.

Com sede no Cairo, a empresa coleta lixo eletrônico — de computadores a celulares velhos — de quase 50 empresas, seleciona e recicla o material com segurança. Parte do material é enviado ao exterior para continuar sendo reciclado.

Desde seu lançamento em 2011, a RecycloBekia reciclou 500 toneladas de lixo eletrônico de várias partes do Egito. “Houve muitos desafios no começo”, diz Hemdan. “E quero dizer, muitos mesmo.”

Dois jovens seguram equipamentos descartados (Cortesia: Mostafa Hemdan)
Hemdan (direita) e colega se preparam para reciclar (Foto: Cortesia)

Parceiros de perto e de longe

Mas parceiros globais que acreditam na força do empreendedorismo egípcio ajudaram a RecycloBekia a superar muitos de seus desafios.

Como a maioria dos empreendedores iniciantes, Hemdan, com 25 anos de idade e natural de Tanta, e seus colegas (19 outros estudantes com a mesma visão), precisavam de capital para o lançamento da empresa. Eles inscreveram seu plano de negócios no concurso de empreendedorismo da organização sem fins lucrativos Injaz Egito* e ganharam o prêmio de US$ 10 mil do primeiro lugar.

“A Injaz foi responsável por nos fazer acreditar que é possível abrir uma empresa quando somos estudantes”, disse Hemdan. “Ela nos apoia muito e está sempre falando da RecycloBekia para as pessoas.”

A Junior Achievement* — organização sem fins lucrativos com sede nos EUA e voltada para o empoderamento de jovens — iniciou a Injaz Al-Arab* em 1999 para promover a formação e a capacitação de jovens no mundo árabe. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) também fez a ponte entre a RecycloBekia com investidores egípcios, que fornecem financiamento e orientação adicionais.

Charles Cooper, aluno da Escola Samuel Curtis Johnson de Pós-Graduação em Administração da Universidade Cornell, orienta os funcionários da RecycloBekia em práticas empresariais por meio de uma “think and do tank” (usina de ideias e ação, em tradução livre) chamada Rise Egito*. “[Cooper] está tentando nos ajudar na configuração das operações, em um manual do funcionário e em um manual de operações”, disse Hemdan. “Ele está nos orientando para sermos uma empresa profissional.”

Está funcionando. A RecycloBekia recentemente se expandiu para Argélia, Marrocos e Tunísia e planeja crescer na região.

* site em inglês