Los Angeles (LA) pode estar entre as cidades americanas com o ar mais sujo, mas está respirando muito melhor do que há algumas décadas, quando carros, refinarias e incineradores domésticos emitiam gases de efeito estufa e material particulado sem nenhum controle. A tecnologia e os controles rigorosos atuais sobre as emissões veiculares e industriais foram responsáveis por essa mudança.
As cidades-irmãs de LA, Cidade do México e Mumbai, na Índia, enfrentam desafios similares. Los Angeles e a Cidade do México têm uma geografia que retém as emissões, e as três cidades têm populações na casa das dezenas de milhões de habitantes na área metropolitana. Veículos motores são usados para o transporte privado, público e comercial, além da poluição de aviões, trens e — nas cidades portuárias — navios.
Localidades com problemas semelhantes de qualidade do ar colaboram nas soluções. Um estudo de 2014 do Programa de Mitigação da Poluição do Ar Índia-Califórnia*, iniciativa conjunta do Instituto de Energia e Recursos na Índia, da Universidade da Califórnia em San Diego e do Conselho de Recursos para o Ar na Califórnia, concluiu que tecnologias e combustíveis que melhoraram a qualidade do ar de maneira expressiva em LA poderiam ser implementados na Índia, melhorando de imediato a saúde e o fornecimento de alimentos e água.

“A Califórnia demonstrou que esses poluentes podem ser mitigados de maneira expressiva sem a desaceleração do desenvolvimento econômico”, informa o relatório.
Regulação e inovação
A poluição do ar se tornou um problema em Los Angeles depois da Segunda Guerra Mundial. Medidas eficazes levaram tempo para serem adotadas e exigiram a coordenação do governo, das empresas e dos moradores. Leis federais, como a Lei do Ar Limpo, e normas nacionais para as emissões dos carros, além de medidas regulatórias rigorosas da Califórnia, deram início aos esforços de combate à poluição na década de 1970.
Mas a poluição continuava pairando no ar. Avanços reais vieram depois da adoção de conversores catalíticos para reduzir as emissões veiculares.
Estudo recente da Universidade do Sul da Califórnia (USC)* mostra que os moradores de LA são mais saudáveis hoje do que há 20 anos, graças às drásticas reduções de dióxido de nitrogênio e material particulado. Os autores do estudo dizem que suas conclusões respaldam a correlação entre “esforços amplos para melhorar a qualidade do ar como um todo” e “benefícios substanciais e mensuráveis para a saúde pública”.
Metas ambiciosas
Como outras cidades do mundo, LA precisa redobrar os esforços para manter o ar saudável. À medida que a população cresce, cresce também o número de veículos e outras fontes de poluição.

Enfrentar a poluição do ar e as mudanças climáticas com legislação, inovação e conservação é prioridade para o prefeito de LA, Eric Garcetti, que participa do Comitê Diretivo do C40 e da Força-Tarefa para o Clima, do presidente Obama*. O C40 é uma rede internacional de prefeitos que trabalham para solucionar problemas ambientais urbanos.
As estratégias do Plano de Cidades Sustentáveis* de LA, lançado em abril, são ousadas.
Metas ambiciosas para a qualidade do ar incluem reduzir os dias de poluição do ar insalubre de 40 registrados em 2013 para nenhum em 2025 e uma diminuição drástica nas emissões de poluentes por meio do uso de combustíveis alternativos e geração de energia sustentável.
A conservação de parques e florestas próximas, que armazenam dióxido de carbono, é outra estratégia. Um trecho do Rio Los Angeles* e espaços verdes adjacentes serão restaurados depois de seis décadas em que o rio tem servido de barragem para o controle de enchentes e escoamento.

Tudo isso significa cidadãos mais saudáveis, e como disse W. James Gauderman, principal autor do estudo da USC, ao USC News: “Esperamos que os resultados obtidos sejam relevantes para outras áreas além do Sul da Califórnia, uma vez que os poluentes que encontramos mais fortemente associados à saúde — dióxido de nitrogênio e material particulado — são elevados em qualquer ambiente urbano.”
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