EUA destroem arsenal para ajudar a livrar o mundo de armas químicas

Os Estados Unidos já destruíram completamente seu arsenal de armas químicas, avançando “um passo mais perto de um mundo livre dos horrores das armas químicas”, anunciou o presidente Biden em 7 de julho.

Autoridades do Departamento de Estado dos EUA consideraram o fim do esforço de destruição de 30 anos um marco tanto na manutenção da conformidade dos EUA com a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas quanto na cooperação internacional no controle de armas e desarmamento. A conquista elimina toda uma categoria de armas de destruição em massa declaradas no tratado.

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Secretário Antony Blinken
Os Estados Unidos concluíram com sucesso a destruição de nosso estoque de armas químicas, marcando um grande passo à frente nos termos da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas.

Bonnie Jenkins, subsecretária de Estado dos EUA para Controle de Armas e Segurança Internacional, afirmou que os Estados Unidos vão continuar a trabalhar através da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) visando assegurar que substâncias químicas sejam usadas apenas para finalidades pacíficas e não como armas. 

“Também devemos reconhecer que nosso trabalho aqui não está concluído”, disse Bonnie, falando em uma reunião do Conselho Executivo da Opaq de 11 a 14 de julho em Haia. “A ameaça de posse, desenvolvimento e uso de armas químicas ainda existe e requer nosso foco contínuo.” 

Ameaças restantes

Trabalhador com roupa de proteção usa máquina para destruir armas químicas contidas em cilindros (© David Zalubowski/AP)
Mais de 1.500 trabalhadores do Depósito Químico Pueblo do Exército dos EUA em Pueblo, Colorado, desarmaram 780.078 munições de gás mostarda de décadas atrás (© David Zalubowski/AP)

A Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas de 1997 proíbe signatários de desenvolver, produzir, adquirir, estocar, reter ou transferir armas químicas. A Convenção tem quase universalidade, com apenas quatro países não aderindo ao tratado.

O governo dos EUA investiu US$ 31 bilhões para destruir com segurança seu arsenal de armas químicas, existente há décadas, de maneira a proteger trabalhadores, comunidades localizadas perto de instalações de destruição e o meio ambiente.

Na reunião da Opaq, Bonnie instou os regimes da Síria e da Rússia a cumprir suas obrigações nos termos da Convenção.

Apesar de signatária da Convenção, a Federação Russa usou agentes neurotóxicos em pelo  menos duas tentativas de assassinato, mostrando que a Federação Russa tem um programa de armas químicas não declarado, uma clara violação da Convenção*, disse Bonnie.

Embora a Síria seja também signatária da Convenção, o regime é responsável por cinco ataques com armas químicas naquele país, constataram investigadores da Opaq*.

Cooperação contínua

Fileiras de cilindros de armas químicas vazios em bandejas em um depósito (© David Zalubowski/AP)
Cilindros de gás mostarda estão vazios no Depósito Químico Pueblo do Exército dos EUA em 8 de junho. As munições estavam armazenadas nas instalações de Pueblo, Colorado, há mais de oito décadas (© David Zalubowski/AP)

O presidente Biden afirmou que armas químicas “nunca mais devem ser desenvolvidas ou usadas” e fez um apelo por um dia em que “todas as crianças possam crescer em um mundo sem o flagelo de armas químicas”.

Em 3 de julho, a Agência dos EUA de Redução de Ameaças à Defesa (DTRA, na sigla em inglês) anunciou uma nova parceria para aprofundar sua colaboração quanto ao objetivo da Convenção de livrar o mundo de armas químicas.

O acordo vai melhorar as capacidades forenses e analíticas da Opaq, através de apoio voltado para o Centro de Química e Tecnologia da Opaq. O Centro foi inaugurado em maio e é financiado por 57 países. Isso se deu após a promessa de US$ 1 milhão do governo dos EUA para apoiar treinamentos da Opaq sobre manutenção de normas internacionais contra o uso de armas químicas e sobre a responsabilização de infratores.

Foco na segurança

As últimas etapas visando eliminar o arsenal dos EUA ocorreram em instalações no Colorado e em Kentucky.

Durante uma visita de 12 a 14 de junho à instalação Blue Grass de destruição de armas químicas em Kentucky, o presidente do Conselho Executivo da Opaq, embaixador Lucian Fătu da Romênia, afirmou que o progresso dos EUA no que diz respeito à destruição de armas* “fornece evidências muito necessárias da resiliência das normas internacionais contra o uso de armas químicas”.

Trabalhadores em Kentucky destruíram mais de 101 mil foguetes e projéteis*, e mais de 474 toneladas de agentes químicos. A gerente de projeto do local, Candace Coyle, na fábrica-piloto Blue Grass de destruição de agentes químicos, chamou a eliminação do estoque dos EUA de “um momento histórico não apenas para nós em Kentucky, mas para os Estados Unidos e em todo o mundo”.

Trabalhadores da Fábrica-Piloto de Destruição de Agentes Químicos de Pueblo, no Colorado, também expressaram orgulho por sua conquista. Mais de 780 mil munições e 2,370 toneladas de agente mostarda já foram destruídas na instalação desde 2015.

“Isto somos nós mostrando que estamos fazendo o nosso melhor para tornar o mundo um lugar melhor”, afirmou Levi Vera, trabalhador da instalação do Colorado.

Tuíte:
Notícias da Associação das Agências de Água da Califórnia (ACWANews)
Ligue o som para ouvir o que a força de trabalho da Fábrica-Piloto de Destruição de Agentes Químicos de Pueblo (PCAPP) pensa sobre a eliminação completa do estoque de armas químicas no Colorado em 22 de junho de 2023. Honrando nosso compromisso

* site em inglês