Como o mundo alimentará uma população global de mais de 9 bilhões de pessoas até o ano de 2050?

Essa é uma das perguntas que 16 membros do corpo docente do Departamento de Ciências dos Animais da Universidade Estadual e Instituto Politécnico da Virgínia (Virginia Tech) discutiram com homólogos da Universidade de São Paulo. Eles se reuniram durante um simpósio no início do ano no Brasil sobre temas como bem-estar animal e produtividade.

Os agricultores brasileiros têm “enorme potencial*” no que se refere a alimentar uma boa parte do mundo, disse David Gerrard, chefe do Departamento de Ciências dos Animais e das Aves da Virginia Tech.

O clima quente do ano todo no Brasil, por exemplo, permite que os agricultores produzam mais de uma safra de milho por ano, enquanto os agricultores dos EUA produzem milho uma vez por ano no verão. O Brasil também já possui o dobro de gado se comparado com os EUA.

Saulo da Luz e Silva, chefe do Departamento de Ciências dos Animais da Universidade de São Paulo, disse que tanto os EUA quanto o Brasil “são grandes protagonistas no mercado mundial de alimentos”, especificamente no de carne. “A união desse conhecimento terá um impacto importante para os sistemas produtivos dos dois países e, consequentemente, para o mundo”, afirmou.

Compartilhando pesquisas visando melhorar a produtividade

Uma preocupação importante de acadêmicos brasileiros e americanos é como o estresse térmico afeta a produtividade da carne bovina e do gado leiteiro. Eles fizeram perguntas importantes. Dentre elas: “Como se produz carne bovina de alta qualidade em ambientes onde se tem algum aumento de temperatura?” E: “Como conseguir ordenhar os animais quando está quente em áreas externas?”, disse Gerrard.

Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida da Virginia Tech: Como a Virginia Tech está se unindo a outras universidades para tratar de questões alimentares globais? Descubra aqui: https://vtnews.vt.edu/articles/2019/03/cals-Brazil.html … @VTCALSGlobal @VTCals

“Muitos dos problemas que enfrentamos nos EUA ao trabalhar com produtores de carne bovina visando abordar novas tecnologias e estratégias para o manejo de seus rebanhos são semelhantes aos enfrentados no Brasil”, disse Bain Wilson, especialista em Nutrição de Carne Bovina da Virginia Tech.

O corpo docente da Virginia Tech aguarda com expectativa a próxima fase da colaboração entre os EUA e o Brasil. Três cientistas visitantes e pelo menos meia dúzia de estudantes de pós-graduação saem da Universidade de São Paulo rumo à Virginia Tech a fim de continuar suas pesquisas.

“Embora os EUA possam estar mais adiantados na abordagem de algumas questões, o Brasil está mais à frente em outras. Portanto, ser capaz de colaborar com os brasileiros pode ajudar a aprimorar o trabalho de ambos os países visando melhorar o bem-estar dos animais”, disse Erica Feuerbacher, especialista em Comportamento e Bem-estar Animal.

* site em inglês com opção de tradução para o chinês