Homem de pé no meio de uma multidão de pessoas sentadas segurando guarda-chuvas amarelos (© AP Images)
Militares da Birmânia atacaram manifestantes pacíficos, inclusive em Mandalay, onde manifestantes pediam o retorno à democracia em 13 de março (© AP Images)

Os Estados Unidos estão impondo sanções a autoridades militares birmanesas responsáveis ​​por ataques a manifestantes pacíficos. Essa medida faz parte do amplo apoio americano ao povo birmanês.

Militares da Birmânia (atual Mianmar) reprimiram as reivindicações do povo birmanês para restaurar a democracia após um golpe militar de 1º de fevereiro, prendendo oponentes políticos e matando centenas de manifestantes pacíficos e outros membros do público.

Em resposta, o governo dos EUA recentemente aplicou sanções a autoridades e unidades militares birmanesas responsáveis ​​pela escalada da violência, bem como a duas empresas que apoiam os militares.

“Essas ações terão como alvo específico aqueles que lideraram o golpe, os interesses econômicos dos militares e as fontes de financiamento que apoiam a repressão brutal dos militares birmaneses”, disse o secretário de Estado, Antony J. Blinken, em 25 de março. “Elas não são destinadas ao povo da Birmânia.”

 Mulher vista através de vidro, sentada no parapeito de uma janela, com o reflexo da silhueta de um homem olhando para o pôr do sol (© Anupam Nat/ AP Images)
Policiais que fugiram da Birmânia disseram à Associated Press que receberam ordens de atirar em pessoas, até mesmo em seus próprios familiares, que não apoiaram o golpe (© Anupam Nath/AP Images)

As recentes designações dos EUA têm como alvo o chefe de Polícia da Birmânia, Than Hlaing, e um comandante do Bureau de Operações Especiais, tenente-general Aung Soe. Outras sanções dos EUA visam as divisões militares responsáveis ​​pelos ataques a manifestantes.

Membros da 33ª divisão de infantaria leve atiraram contra uma multidão em Mandalay em 20 de fevereiro, enquanto a 33ª e a 77ª divisões de infantaria leves apoiam os planos dos militares birmaneses de usar força letal, de acordo com o Departamento de Estado dos EUA.

Os Estados Unidos também designaram duas empresas que apoiam financeiramente os militares: a Myanmar Economic Holdings Public Company Limited e a Myanmar Economic Corporation Limited.

As designações se seguem às sanções dos EUA emitidas em fevereiro, contra autoridades birmanesas atuais ou antigas* que são filiadas ao regime militar ou responsáveis ​​pelo golpe ou pelos ataques aos manifestantes.

A União Europeia em 22 de março também designou 11 pessoas físicas em conexão com o golpe e a violência subsequente, incluindo algumas autoridades que já foram alvos de sanções dos EUA.

O governo dos Estados Unidos está oferecendo status temporário a cerca de 1.600 cidadãos birmaneses a fim de protegê-los para que não necessitem retornar a um país sitiado pela violência. Em 12 de março, o secretário de Segurança Interna, Alejandro N. Mayorkas, designou status de proteção temporária à Birmânia, tornando os birmaneses que estão nos Estados Unidos elegíveis para permanecerem no país por 18 meses.

“Os Estados Unidos estão chocados e profundamente tristes com relatos de que as forças de segurança birmanesas continuaram a usar força letal contra o povo da Birmânia”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em 25 de março, chamando a atenção para a morte de pelo menos 27 pessoas, incluindo crianças, dias antes.

“Esses atos abomináveis ​​e brutais contra crianças, uma de apenas sete anos de idade que foi baleada e morta em sua casa enquanto estava sentada no colo de seu pai, demonstram ainda mais a natureza horrível do ataque do regime militar birmanês contra seu próprio povo.”

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