Close de mulher usando lenço na cabeça (© Behrouz Mehri/AFP/Getty Images)
Ativista de direitos humanos Narges Mohammadi no Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerã em 2007 (© Behrouz Mehri/AFP/Getty Images)

A iraniana Narges Mohammadi é física, engenheira, esposa, mãe, defensora de direitos humanos e ganhadora do Prêmio Sociedade Americana de Física Andrei Sakharov.

Narges é também prisioneira na infame prisão de Evin em Teerã.

“Sentada aqui na prisão, estou sensibilizada pela homenagem que vocês me conferiram e continuarei meus esforços até alcançarmos a paz, a tolerância por uma pluralidade de visões e pelos direitos humanos”, Narges afirmou em discurso escrito para a cerimônia de premiação obtido pelo Centro para Direitos Humanos no Irã. O prêmio foi batizado com o nome do físico russo que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1975 por seu ativismo em direitos humanos.

Narges Mohammadi sacrifica sua liberdade e felicidade a fim de lutar pacificamente pelo que acredita: o direito das pessoas de ter igualdade em todos os aspectos no Irã. E, por isso, ela está cumprindo 16 anos de sua vida na prisão. Que o mundo seja sua voz. Liberdade para Narges. #NargesMohammadi #Iran #World #FreeNarges @Pontifex @Rouhani_ir @UN_HRC @JZarif

Narges já enfrentou detenção e prisão inúmeras vezes, a última em 2015. Um tribunal revolucionário em Teerã a condenou a 16 anos de prisão por “propaganda contra o Estado”, de acordo com o Relatório sobre Práticas de Direitos Humanos por País 2017 referente ao Irã*.

Sua campanha pacífica para acabar com as rotineiras execuções públicas e execuções em massa do Irã, chamada Passo a Passo para Acabar com a Pena de Morte**, foi considerada prejudicial à segurança nacional do Irã pelo tribunal, violando seu direito pessoal à liberdade de expressão.

O comitê do Prêmio Sakharov da Sociedade Americana de Física reconheceu Narges “por seus esforços inabaláveis ​​para promover os direitos humanos e a liberdade do povo iraniano”. A organização de física com sede nos EUA concede o prêmio a cada dois anos aos cientistas por sua liderança na defesa dos direitos humanos.

A vida nas prisões iranianas

Durante a permanência de Narges na prisão, autoridades a têm privado repetidamente de cuidados médicos para tratar de sérios problemas de saúde como uma forma de punição, impedido a visita de seus familiares e o acesso a chamadas telefônicas.

Seu marido, Taghi Rahmani, e os gêmeos Ali e Kiana, agora com 11 anos, fugiram do Irã depois da prisão de Narges e moram na França. Famílias de prisioneiros enfrentam rotineiramente assédio e ameaças de autoridades governamentais do Irã.

As condições das prisões iranianas são particularmente inóspitas e ameaçam a vida devido a escassez de alimentos e água, grave superlotação, condições insalubres, agressões físicas e tortura, incluindo estupro, segundo o Departamento de Estado. Interrogações brutais podem ser mortais.

O secretário Pompeo se pronunciou recentemente contra o “terror e torturas muito bem documentados que o regime vem infligindo por décadas sobre aqueles que dissentem da ideologia do regime.”

Prisioneira de consciência

Os tribunais deram a Narges uma escolha: ela poderia se libertar da prisão sob a condição de que ela permanecesse sempre em silêncio sobre o tema dos direitos humanos no Irã. Narges respondeu em uma carta aberta* em 2017: “Em vez de ser mãe de meu filho e filha e testemunhar o futuro do Irã se transformar em cinzas, eu prefiro ser uma mãe atrás das grades na Prisão de Evin lutando pelos direitos humanos dos futuros filhos de minha terra natal.”

Narges Mohammadi está entre os aproximadamente 700 prisioneiros de consciência detidos pelo regime iraniano em 2017, incluindo os presos por suas crenças religiosas.

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