Captura de tela de vídeo do YouTube mostrando o porta-voz da Casa Branca, à esquerda, juntamente com uma intérprete da linguagem de sinais, à direita
Captura de tela de vídeo do YouTube mostrando Elsie Stecker, intérprete de linguagem americana de sinais da Casa Branca, enquanto ela faz a interpretação de um pronunciamento durante uma coletiva de imprensa da secretária de Imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre

Nos Estados Unidos, intérpretes federais da linguagem de sinais comunicam notícias e eventos do governo a americanos surdos e com deficiência auditiva todos os dias.

No início deste ano, o Departamento de Estado dos EUA realizou seu primeiro Simpósio sobre Linguagem de Sinais no Departamento de Estado* (Sign@State, no original em inglês), um evento virtual para surdos e deficientes auditivos interessados em carreiras no Departamento. O gabinete da vice-presidente, Kamala Harris, também usa intérpretes de língua de sinais.

Na Casa Branca, Elsie Stecker e Lindsey Snyder trabalham como intérpretes da Linguagem Americana de Sinais (LAS). Elas são as principais responsáveis ​​por interpretar os pronunciamentos públicos do presidente para transmissão on-line ao vivo da Casa Branca*. A transmissão é vista por inúmeros espectadores através de canais de mídias sociais e pelo YouTube.

“É uma grande honra”, diz Elsie por meio de um intérprete de linguagem de sinais. “Há alguns surdos que querem assistir ao intérprete”, diz ela. Outros vão simplesmente ler as legendas, disse ela, e alguns preferem ler uma transcrição. Seu trabalho permite todas essas opções, diz ela, “sem limitações”.

‘Como uma reunião feita pelo Zoom’

Ao fazer a cobertura de coletivas de imprensa da Casa Branca, eventos públicos do presidente Biden e anúncios da Casa Branca, incluindo os da primeira-dama, Elsie e Lindsey têm um lugar na primeira fila da história.

Quando Biden fez seu primeiro discurso sobre o Estado da União, elas fizeram a interpretação na LSA. E interpretaram novamente quando o presidente anunciou Ketanji Brown Jackson como sua escolha para a Suprema Corte dos EUA. Elas fizeram a interpretação na LSA durante a recente coletiva de imprensa da Casa Branca após a morte da rainha Elizabeth II.

“Há uma variedade incrível (…) mas sempre que o presidente aparece em algum lugar e isso se torna público, aqui estamos”, diz Lindsey.

Veja como elas trabalham: Lindsey (que pode ouvir e tem experiência em LAS) assiste a um evento, ouve seu fluxo de áudio e o interpreta na LAS em tempo real para Elsie (que é surda). Ambas se veem na tela e assistem ao evento simultaneamente. Depois disso, Elsie, o rosto da operação, faz a interpretação em frente às câmeras durante a transmissão ao vivo.

“Funciona como uma reunião pelo Zoom”, explica Lindsey.

Suas interpretações refletem o tom e o humor de quem está falando. Se, por exemplo, uma autoridade está falando acaloradamente e outra com calma, isso transparece na interpretação de Elsie.

O tema sendo desenvolvido também afeta sua abordagem. Elas tratam as atualizações presidenciais sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia com seriedade. Mas elas recentemente adotaram uma abordagem mais leve para uma mesa-redonda presidencial, realizada virtualmente, sobre energia limpa, em grande parte porque o presidente falava em tom jocoso durante a reunião.

Homenagem a gerações de diplomatas

Durante abril, que é o Mês Nacional da História dos Surdos nos Estados Unidos, o simpósio sobre Linguagem de Sinais do Departamento de Estado prestou homenagem às contribuições de longa data de seus funcionários surdos e com deficiência auditiva.

“Diplomatas surdos e com deficiência auditiva representam americanos de todas as raças, religiões, origens — e de todas as partes de nosso país”, disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, no simpósio. “As pessoas que usam a linguagem americana de sinais constituem uma importante minoria linguística que enriquece nosso país, nosso governo e nosso Departamento.”

Captura de tela de vídeo do Departamento de Estado mostrando Antony Blinken e intérprete de linguagem de sinais
Captura de tela de vídeo do Departamento de Estado mostrando Blinken — com o intérprete Timothy Snider — enquanto ele interpreta na LAS a expressão “bem-vindo” a uma plateia durante um simpósio realizado recentemente

Seja negociando tratados ou trabalhando em inteligência, diplomatas surdos e com deficiência auditiva têm promovido política externa em todos os lugares em que trabalharam — por gerações, disse Blinken. Eles “têm ajudado a realizar avanços rumo a um futuro mais estável, seguro e equitativo — para americanos e pessoas em todos os lugares”.

* site em inglês