Irã prendeu 1,7 milhão de pessoas na região de Teerã, segundo relatório

Gráfico mostra alvos da perseguição do Irã (Depto. de Estado)

Autoridades iranianas detiveram e prenderam pelo menos 1,7 milhão de cidadãos do próprio povo na região de Teerã nas últimas quatro décadas, e muitas foram executadas, segundo um novo relatório.

Entre eles: mais de 5.700 membros da minoria religiosa bahá’í e pelo menos 860 jornalistas e jornalistas-cidadãos, de acordo com a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras. Essa ONG, com sede em Paris, divulgou seu relatório “Forty years of state lies*” (Quarenta anos de mentiras do Estado, em tradução livre), em 7 de fevereiro.

As constatações são baseadas em um arquivo iraniano vazado que detalha os processos judiciais entre os anos de 1979 e 2009.

A informação expõe “a escala das mentiras que o regime orquestrou sobre a perseguição judicial no Irã durante décadas”, disse a Repórteres Sem Fronteiras em comunicado à imprensa.

Muitos dos presos também eram membros de minorias religiosas e étnicas, prisioneiros de consciência, opositores do regime ou ativistas.

Entre as conclusões surpreendentes no relatório: 61.940 prisioneiros políticos foram presos desde a década de 1980, incluindo muitos jovens adolescentes. O relatório também confirmou que quatro mil presos políticos foram executados em 1988 por ordem do líder supremo Ruhollah Khomeini.

“A própria existência desse arquivo e seus milhões de registros mostram não somente a escala da desonestidade praticada há anos por parte do regime iraniano ao afirmar que suas prisões não mantinham presos políticos ou jornalistas, mas também as maquinações implacáveis ​​que usou durante 40 anos para perseguir homens e mulheres por suas opiniões ou reportagens”, disse Christophe Deloire, secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras.

* site em inglês, português e outros três idiomas