Duas mulheres em meio a uma multidão em estádio segurando uma placa dizendo ‘Permitam que as mulheres iranianas entrem nos estádios’ (© Jonathan Nackstrand/AFP/Getty Images)
Torcedoras mostram seu apoio às mulheres iranianas em uma partida entre a Suécia e o Irã, perto de Estocolmo, em 2015 (© Jonathan Nackstrand/AFP/Getty Images)

Uma iraniana de 29 anos de idade morreu em 9 de setembro após atear fogo em si mesma em frente a um tribunal em Teerã. Ela havia acabado de saber que talvez tivesse que passar seis meses na prisão por tentar assistir a um jogo de futebol.

As forças de segurança iranianas prenderam Sahar Khodayari em março por “insultar autoridades” e por usar “trajes impróprios” ao tentar entrar no Estádio Azadi, em Teerã, disfarçada de homem.

Ela foi apelidada de “Garota Azul” nas redes sociais, por causa da cor do seu time favorito.

“Essa tragédia sem sentido deve ser um ponto de virada para o governo do Irã, que tem ignorado os apelos de seu povo para suspender sua proibição discriminatória de mulheres em estádios e agora está enfrentando os custos humanos dessa política”, Hadi Ghaemi, diretor do Centro Direitos Humanos no Irã, disse em comunicado*.

Somente no Irã

O Irã é o único país do mundo que proíbe as mulheres de assistir a eventos esportivos masculinos em estádios públicos, um dos muitos direitos para as mulheres que a Revolução Islâmica Iraniana eliminou.

Essa proibição viola os estatutos da Fifa, órgão internacional de futebol. A Fifa diz que qualquer tipo de discriminação contra um grupo de pessoas é “estritamente proibido e punível com suspensão ou expulsão”.

Tuíte:
Masih Alinejad: Nesta entrevista à BBC World, eu disse que não precisamos de palavras vazias da Fifa, queremos que a Fifa imponha sanções à equipe de futebol da República Islâmica. Sahar Khodayari morreu por atear fogo a si mesma após ser condenada a seis meses de prisão por ter entrado de fininho em um estádio. @AlinejadMasih #FifaStandUp4Sahar #bluegirl @FIFAcom #SaharKhodayari

A Reuters informou que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, pressionou as autoridades iranianas* a permitir que as mulheres participem das eliminatórias masculinas da Copa do Mundo no Irã ainda este ano. Até o momento, o Irã não tomou medidas para cumprir as regras da Fifa.

A Guarda Revolucionária Islâmica deteve e prendeu outras quatro mulheres* em 17 de agosto por tentar entrar no Estádio Azadi, disse o Centro de Direitos Humanos no Irã. As mulheres foram libertadas sob fiança dois dias depois.

Agora torcedores e jogadores iranianos de futebol, incluindo o lendário ex-jogador Ali Karimi, estão pedindo um boicote nacional a todos os estádios esportivos** até que o regime encerre sua política discriminatória, informa a Rádio Farda.

Parvaneh Salahshouri, membra reformista do Parlamento do Irã, disse em um tuíte de 10 de setembro que, como o Irã priva as mulheres de seus direitos humanos básicos, “todos somos responsáveis” ​​por detenções de meninas e casos extremos em que elas chegam a atear fogo em si mesmas, como ocorreu agora no país.

* site em inglês
** site em inglês e persa