Muitas estátuas de pessoas diferentes (© Acritely_Photo/Alamy Stock Photo)
O Memorial da História Afro-Americana do Texas, localizado em Austin, descreve a história afro-americana desde os anos 1500 até o presente — incluindo o feriado ‘Juneteenth’ (© Acritely_Photo/Alamy Stock Photo)

“Juneteenth”, ou 19 de junho, é um feriado anual em comemoração do fim da escravidão nos Estados Unidos.

Nessa data em 1865, a escravidão foi abolida no Texas cerca de três anos após a Proclamação da Emancipação do Presidente Lincoln, emitida em 22 de setembro de 1862.

Retrato em gravura de Gordon Granger (© Peter Righteous/Alamy Stock Photo)
Gravura de John Buttre do major-general da União Gordon Granger, por volta de 1866 (© Peter Righteous/Alamy Stock Photo)

Texas, que fazia parte da Confederação durante a Guerra Civil dos EUA, ignorou por muito tempo a proclamação de Lincoln. Portanto, o general do Exército Gordon Granger e 2 mil tropas federais viajaram até o Porto de Galveston, no Texas, para fazer o anúncio aos texanos.

Em 19 de junho de 1865, diretamente da sacada de Ashton Villa, Granger leu publicamente o conteúdo da “Decreto Geral Número 3”, começando com as palavras: “O povo do Texas é informado de que, em conformidade com uma Proclamação do Executivo dos Estados Unidos, todos os escravos são livres.”

Ex-escravos se regozijaram nas ruas de Galveston.

As celebrações de “Juneteenth” passariam a se tornar tradição no Texas a partir do ano seguinte. “No início, isso envolveu as preocupações práticas de reunir famílias”, disse o historiador Louis Gates Jr. “Mas naquela época e agora, [essa data] serve como um ponto de encontro para os negros.”

O decreto de Granger não mudou imediatamente a vida dos ex-escravos no Texas. “Os donos de escravos esperaram o maior tempo possível para anunciar a notícia, com muitos deles tentando obter uma colheita final”, disse Gates. E representantes do Escritório do Liberto, agência federal estabelecida para ajudar milhões de afro-americanos recém-libertados após a Guerra Civil, não chegou ao Texas até setembro, poucos meses após o decreto de Granger.

“Ex-escravos que tomaram a iniciativa de abandonar suas plantações, muitas vezes enfrentaram punições violentas, inclusive assassinato, por suas supostas transgressões”, afirmou Gates. “Essa retaliação brutal indicou que texanos brancos não iriam aceitar a liberdade dos negros”, e prenunciou ainda mais opressão.

Apesar dos reveses e da violência no Texas, as pessoas recém-libertadas transformaram 19 de junho em um ritual anual de triunfo contra a injustiça.

Evolução do feriado

Quando as pessoas libertadas em Houston estavam planejando a primeira celebração de “Juneteenth” em 1866, elas foram impedidas de frequentar parques públicos em decorrência das leis municipais de segregação racial, em franca expansão. Mas na década de 1870, eles haviam reunido US$ 800 e comprado quatro hectares de terra, que chamaram de Parque da Emancipação.

Crianças em playground (© Michael Stravato/The New York Times)
Crianças brincam no Parque da Emancipação de Houston após a reforma de US$ 34 milhões do parque em 2017 (© Michael Stravato/The New York Times)

Nos últimos anos, o Conselho da Cidade de Houston declarou o parque um marco histórico. Em 2019, o renovado Parque da Emancipação — ainda usado para as celebrações do “Juneteenth” e muito mais — se tornou um local no projeto da Rota dos Escravos da Unesco, destacando seu papel em elucidar os efeitos da escravidão.

Hoje, “Juneteenth” é um feriado em 46 estados e no Distrito de Colúmbia. As celebrações incluem reuniões familiares e comunitárias, geralmente com leituras da Proclamação da Emancipação, sermões religiosos e cânticos espirituais.

Grupo de pessoas comemorando e posando para foto (© Dylan Buell/VIBE/Getty Images)
Participantes de desfile desfrutam do festival ‘Juneteenth’ 2019 em Milwaukee, Wisconsin (© Dylan Buell/VIBE/Getty Images)

“O ’Juneteenth’ é um dos nossos maiores exemplos de como um movimento popular pode se encarregar de sua própria história e usá-la para fins benéficos”, afirmou Gates. “Quanto progresso fizemos ou deixamos de fazer desde a escravidão? Como transmitimos aos nossos filhos e netos o significado de sua história? E como podemos celebrar aqueles que vieram antes de nós, superando adversidades incríveis para que possamos viver a vida que vivemos hoje, por mais imperfeita que seja? ‘Juneteenth’ oferece uma chance de refletir sobre o passado e sobre o futuro.”