A Plataforma de Ação de Pequim*, desenvolvida em 1995 em uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu uma agenda para o empoderamento das mulheres e identificou 12 áreas cruciais de interesse. Vinte anos após Pequim, ShareAmerica avalia o avanço global em cada área crucial**. Este artigo aborda o impacto das mulheres no meio ambiente.

Assim como mulheres líderes de empresas e governos modelam as políticas que afetam diretamente o meio ambiente, elas também administram na prática recursos naturais, particularmente em países em desenvolvimento.

Em boa parte do mundo, mulheres coletam e armazenam água, combustível e feno. Pescam e cultivam. Suas atividades afetam florestas, pântanos e terrenos agrícolas. A relação estreita das mulheres com os recursos naturais pode proteger o meio ambiente*** e promover o desenvolvimento sustentável, além de proporcionar uma adaptação bem-sucedida à mudança climática. E sua participação em decisões de políticas relacionadas ao ambiente é essencial para a sustentabilidade futura.

Fogões que consomem energia de forma eficiente ajudam mulheres, tais como essas da Índia, a conservar melhor os recursos (© AP Images)

Na base do processo, o pleno potencial das mulheres como gestoras ambientais está sendo realizado através de educação, capacitação técnica e maior controle sobre os recursos. Acordos internacionais** e estudos intergovernamentais* oferecem linhas de ação, mas uma implementação culturalmente adequada é vital para o sucesso. No Sul da Ásia e na África, o fornecimento de fogões solares e que utilizam energia de forma eficiente não apenas melhora suas vidas, mas também ajuda a preservar as florestas.

Envolver as mulheres como iguais, integrar seu conhecimento prático e aumentar sua capacidade de assumir o comando dos recursos beneficiam a todos.

Wangari Maathai, que fundou o Movimento do Cinturão Verde no Quênia, ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho em conservação ambiental e direitos das mulheres (© AP Images)

Gestoras ambientais e líderes

Em muitas regiões, mulheres estão liderando como especialistas em meio ambiente, educadoras, inovadoras e líderes de movimentos ambientalistas. O Movimento Cinturão Verde**, do Quênia, foi criado pela falecida Wangari Maathai, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2004. A empreendedora social peruana Albina Ruiz** e sua organização, Ciudad Saludable (Cidade Saudável), ajudam comunidades a gerir e reciclar lixo. Habiba Sarabi**, primeira governadora do Afeganistão, na província de Bamiyan, estabeleceu o primeiro parque nacional do país, o Band-e Amir. A americana Frances Beinecke** trabalhou em políticas globais como presidente do Conselho de Defesa dos Recursos Nacionais.

Esta mulher recebeu capacitação para ser engenheira solar pela Barefoot College, uma ONG com sede em Rajasthan, na Índia. Engenheiras solares recebem salários e melhoram a qualidade de vida do povoado (Cortesia: Anu Saxena)

Graças a organizações como a Barefoot College** (Universidade dos Pés Descalços), instalações solares mantidas por engenheiras solares agora fornecem energia a povoados remotos. Um lema da Barefoot College, “Mudando o mundo rural, uma mulher de cada vez”, reflete o papel essencial das mulheres em sustentar comunidades humanas e o ambiente natural.

*site em inglês com PDF em inglês, espanhol e outros quatro idiomas

**site em inglês

***site em ingles, espanhol e francês