O discurso do presidente sobre o Estado da União: por que ele é importante

Milhões de pessoas ao redor do mundo devem se sintonizar para ouvir o discurso do presidente Trump sobre o Estado da União em 4 de fevereiro.

O discurso frente à sessão conjunta do Congresso é uma oportunidade para que o presidente apresente a retrospectiva dos sucessos alcançados durante o ano passado e a previsão de sua agenda para o ano que se inicia.

Mas o discurso realizado no Capitólio dos EUA a cada janeiro ou fevereiro também é uma demonstração da democracia americana em ação. Esse é um momento único – exceto pelas tomadas de posse presidenciais e os funerais de Estado – quando todos os poderes do governo federal se reúnem em um mesmo salão. O presidente representa o Executivo, os membros da Câmara dos Deputados e do Senado representam o Legislativo, e os juízes da Suprema Corte representam o Judiciário.

A maioria das autoridades que ocupam cargos de confiança e de aconselhamento do presidente, órgão conhecido como Gabinete, também comparece.

O presidente Trump fez seu primeiro discurso para uma sessão conjunta do Congresso no dia 28 de fevereiro de 2017, pouco mais de um mês depois de sua posse no cargo. Mas, aquele não foi um pronunciamento formal sobre o Estado da União. Em 30 de janeiro de 2018, em seu segundo pronunciamento, ele declarou: “o estado da nossa união é forte porque nosso povo é forte.”

Retrospectiva

Algumas expressões proferidas pelos presidentes durante os discursos sobre o Estado da União ficaram famosas.

Franklin Roosevelt no púlpito rodeado por autoridades sentadas (© AP Images)
Presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt (© AP Images)

Franklin D. Roosevelt descreveu as “Quatro Liberdades” em 6 de janeiro de 1941 — liberdade de expressão, liberdade de religião, liberdade de viver sem passar necessidade, liberdade de viver sem medo — para justificar um envolvimento maior dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

George W. Bush na multidão, concede apertos de mão (© AP Images)
Presidente George W. Bush (© AP Images)

George W. Bush criou a expressão “Eixo do Mal” durante seu discurso sobre o Estado da União de 2002, designando o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte como patrocinadores do terrorismo.

Ronald Reagan em sua escrivaninha, escrevendo (© AP Images)
Presidente Ronald Reagan dá os toques finais em seu discurso sobre o Estado da União no Salão Oval da Casa Branca (© AP Images)

Em algumas ocasiões, o discurso ficou famoso em razão dos visitantes que compareceram. O governo do presidente Ronald Reagan deu início à tradição em 1982, quando a primeira-dama convidou Lenny Skutnik a se sentar ao lado dela. Skutnik havia salvado a vida de um passageiro depois que um avião da Air Florida caiu no Rio Potomac, em Washington (veja coluna lateral).

Discurso mais curto: George Washington (1.088 palavras)

Mais longo: Jimmy Carter (33.667 palavras)

Primeiro a ser televisionado: Harry S. Truman, em 1947

Primeiro a ser divulgado ao vivo por webcast: George W. Bush, em 2002

O discurso tem como origem a Constituição dos EUA. O inciso III, do § 2º do artigo 2º da Constituição dos EUA dispõe que o presidente “deverá, de tempos em tempos, oferecer informação sobre o Estado da União ao Congresso, recomendando aos membros que considerem certas medidas, que ele julga necessárias e cabíveis”.

Uma versão deste artigo foi publicada anteriormente em 4 de fevereiro de 2019.

Convidados memoráveis

Lenny Skutnik evitou que um passageiro se afogasse depois que um avião da Air Florida caiu no Rio Potomac.
– Convidado de Nancy Reagan, 1982

Rosa Parks se tornou um símbolo do movimento pelos direitos civis, quando se recusou a obedecer a ordem de um motorista de ônibus, que exigia que ela concedesse seu assento a um passageiro branco em 1955.
– Convidada de Hillary Clinton, 1999

Hermis Moutardier foi uma comissária de bordo que ajudou a frustrar a tentativa de detonação de uma bomba que estava escondida no sapato de um passageiro.
– Convidada de Laura Bush, 2002

Wesley Autrey, trabalhador da construção civil que salvou um homem de ser atingido por um trem de Nova York, depois de ele ter sofrido uma convulsão e caído nos trilhos do metrô.
– Convidado de Laura Bush, 2007