Se você gostaria de uma bolsa de luxo ou um par de tênis último modelo por uma fração do preço vendido no varejo, você não está sozinho.

A demanda dos consumidores por produtos de grife com descontos acentuados garante aos vendedores de rua um comércio intenso de moda e acessórios que se parecem com estilos autênticos da moda. Mas embora essas bolsas estilosas possam parecer ser uma pechincha, os custos ocultos são surpreendentes.

Bolsas empilhadas em um mercado (Ian Law/Shutterstock)
Bolsas falsificadas são exibidas em um mercado ao ar livre (Ian Law/Shutterstock)

A estimativa é que os produtos falsificados custem à economia global US$ 250 bilhões por ano. Esse número se traduz em perda de receita para empresas legítimas de grife e seus funcionários — e, consequentemente, empregos perdidos.

Fabricar, distribuir e vender produtos falsificados é ilegal e antiético. Comprar “falsificações” de grife (produtos com o logo ou a etiqueta da grife, mas não fabricados pela empresa da grife) viola os direitos de propriedade intelectual da grife.

(Depto. Estado/Shutterstock Images)
(Depto. Estado/Shutterstock Images)

Os custos de ser um fashionista falso

A compra de produtos falsificados não é um crime sem vítimas.

  • O comprador priva os designers e outros detentores de direitos autorais dos frutos de seu trabalho e transfere de maneira injusta os lucros para outros.
  • Produtos falsificados minam a inovação, prejudicando igualmente consumidores e empresas. Por que designers talentosos deveriam criar uma bolsa incrível ou uma capa para iPhone se não puderem colher as recompensas financeiras de sua criatividade?
  • Falsificadores “não pagam impostos, o que significa menos dinheiro para escolas, hospitais, parques e outros programas sociais de sua cidade”, diz a Coalizão Internacional contra a Falsificação* (IACC), organização sem fins lucrativos dedicada a proteger a propriedade intelectual.
  • Como a maioria dos produtos falsificados é produzida em fábricas clandestinas dirigidas pelo crime organizado, os lucros quase sempre financiam grupos terroristas, traficantes de drogas, traficantes de sexo e gangues de rua. As fábricas clandestinas, por sua vez, são conhecidas por violar as leis do trabalho infantil e os direitos humanos básicos, e muitos trabalhadores são coagidos a um sistema de servidão contratual, forma moderna de escravidão.
Eletrônicos falsificados, vistos aqui em mercado ao ar livre, oferecem preços baratos, mas sem garantia de qualidade (Ian Law/Shutterstock)

É claro que poucos consumidores querem subsidiar o crime organizado. A maioria simplesmente não percebe que é o que está fazendo quando compra itens falsificados ou DVDs piratas de um vendedor que cobra preços baratíssimos por produtos que supostamente seriam genuínos.

Não apenas moda: falsificações mortais

O problema não está restrito a roupas de grife falsificadas. Há falsificações de produtos farmacêuticos, produtos eletrônicos, peças de computador e softwares, carros e autopeças, motocicletas, peças de aviões, CDs, DVDs, brinquedos, relógios e joias, só para começar.

Algumas falsificações não são seguras, para dizer o mínimo. Medicamentos falsificados que supostamente tratam câncer, HIV e malária resultaram em mortes, assim como falsificações de produtos eletrônicos, airbags de automóveis, cosméticos, fórmulas para bebês e outros produtos alimentícios.

Medicamentos falsificados podem representar uma ameaça fatal para quem os utiliza (Shutterstock)

Ao contrário de produtos legítimos, as falsificações não são inspecionadas nem regulamentadas por órgãos governamentais, portanto os consumidores não têm garantia de segurança ou eficácia. A repressão às falsificações protege os consumidores — e indústrias e empregos legítimos no mundo todo.

Consumidor: fique atento e tenha cuidado

Os Estados Unidos, com seu imenso mercado, continua sendo o destino número 1 para produtos falsos.

Agentes federais trabalham intensamente para impedir a entrada de produtos falsificados nas fronteiras e apreenderam US$ 1,2 bilhão no ano fiscal de 2014. Peças de vestuário e acessórios estão em primeiro lugar na lista do Departamento de Segurança Interna dos EUA das dez principais mercadorias falsificadas* apreendidas no ano passado.

Agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA examina produtos falsificados apreendidos em local de processamento de cargas na área de Los Angeles (Depto. de Segurança Interna dos EUA)

Artigos de luxo falsificados também são vendidos on-line, muitas vezes em sites criados para se parecer com sites de varejo legítimos.

Fazer negócios nesses sites ilegais pode sair caro.

Ao comprar em sites ilegais você corre o risco de ter sua identidade roubada ou seu cartão de crédito fraudado ao fornecer suas informações ao vendedor de produtos falsificados, diz a IACC, e “ao fazer download ou streaming em sites ilegais você corre o risco de ser infectado por malware, que pode roubar informações pessoais ou de cartão de crédito”.

Os consumidores de produtos falsificados também correm o risco de serem multados ou até presos.

“Na França e na Itália, a penalidade para quem compra um artigo falsificado pode ser de até 300 mil euros [US$ 322.176] e, na França, pode dar até prisão”, comenta Susan Scafidi, especialista em Direito da Moda Internacional, que dirige o Instituto de Direito da Moda na Faculdade de Direito da Universidade de Fordham, em Nova York.

Vendedores tentam atrair transeuntes em Roma oferecendo produtos falsificados a preços reduzidos (Tupungato/Shutterstock)

Segundo o blog nepaliaustralian, um turista foi multado em US$ 1.450* por comprar uma bolsa falsa da Louis Vuitton por US$ 10 na Itália. “Agentes que participam da repressão aos produtos falsificados observaram a transação por binóculo”, informa o blog.

Os EUA concentram seus esforços de fiscalização “no lado da oferta e não no lado da demanda; isto é, nos fabricantes e varejistas e não nos consumidores”, diz Susan Scafidi. “No entanto, é ilegal trazer para os EUA mais de um item falsificado por classe de produto” — isto é, mais de uma bolsa falsa ou um par de óculos de sol falso. “Qualquer coisa além disso pode ser considerada tráfico.”

Nos EUA, o Departamento de Segurança Interna combate os produtos falsificados (vídeo em inglês)

Como identificar uma falsificação

Se você não estiver certo se um artigo é autêntico ou falsificado, visite a Fundação de Produtos Autênticos*, grupo internacional sem fins lucrativos que visa informar os consumidores sobre os vínculos da indústria da falsificação com o crime. Além de um apanhado geral das notícias sobre o combate às falsificações, o site oferece orientação sobre como identificar produtos falsificados* e como evitar ser enganado.

* site em inglês