Nasrin Sotoudeh com lenço na cabeça (© Kaveh Kazemi/Getty Images)
A advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh foi presa em junho de 2018 e enfrenta acusações de segurança nacional por representar mulheres detidas devido a acusações por motivos políticos. Teerã, 2014 (© Kaveh Kazemi/Getty Images)

Conceder uma entrevista. Praticar a lei. Aceitar um prêmio. Essas atividades levaram pessoas a serem presas no Irã e algumas foram condenadas a até 20 anos de prisão.

O Irã tem mais de 800 presos políticos e prisioneiros de consciência que são rotineiramente torturados na cadeia e a eles é negado o devido processo legal. Muitos desses prisioneiros incluem advogados de direitos humanos que o regime iraniano prendeu com base em alegações falsas a fim de impedi-los de defender pessoas detidas por acusações politicamente sensíveis.

A seguir, algumas de suas histórias.

Repressão contra advogados de direitos humanos

Nasrin Sotoudeh, advogada de direitos humanos, foi presa em junho e levada para a infame prisão Evin, em Teerã, por representar várias mulheres iranianas acusadas de remover seus hijabs (lenços de cabeça) em público durante os protestos da Quarta-feira Branca no Irã.

Após esses protestos e outros no início de 2018, o Judiciário iraniano compilou uma lista de 20 advogados aprovados pelo Estado que podiam representar pessoas acusadas de crimes de “segurança nacional”. Nasrin protestou contra essa lista ilegal e foi presa juntamente com outros sete advogados de direitos humanos detidos nos últimos seis meses.

“Aplaudimos a coragem de Nasrin e sua luta pelas vítimas sofridas do regime”, disse Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Agnes von der Muhll, também se manifestou contra a prisão de Nasrin. A França “está ligada à defesa dos direitos humanos e reafirma seu apego à liberdade de opinião e expressão no Irã, como em outras partes do mundo”.

Apenas fazendo seu trabalho

Quatro pessoas sentadas à mesa (© Vahid Salemi/AP Images)
Abdolfattah Soltani, à direita, ao lado de outros advogados de direitos humanos iranianos, incluindo a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, segunda à esquerda. Teerã, 2004 (© Vahid Salemi/AP Images)

Abdolfattah Soltani tinha uma longa carreira representando prisioneiros políticos no Irã antes de se tornar um deles em 2011. Ele está cumprindo uma sentença de 13 anos de prisão por aceitar o Prêmio Internacional de Direitos Humanos de Nuremberg de 2009, que lhe foi conferido por seus esforços para “revelar e denunciar publicamente graves violações dos direitos humanos por parte das autoridades iranianas”.

Por aceitar seu prêmio e falar à mídia, ele foi acusado de espalhar propaganda contra o governo e pôr em risco a segurança nacional.

“O judiciário não é imparcial ou independente. O verdadeiro tomador de decisões é o Ministério da Inteligência”, disse* a filha de Soltani, Maede, ao Centro de Direitos Humanos no Irã, em 2017, diretamente da Alemanha, país seguro onde mora atualmente.

“Por lei, meu pai deveria ter sido libertado há três anos”, disse ela, referindo-se ao Artigo 58 do Código Penal Islâmico do Irã, que permite a liberdade condicional se certos requisitos forem cumpridos.

Apoiando os direitos dos estudantes

Arash Sadeghi, ex-ativista estudantil, também falou à mídia e defendeu pacificamente os direitos humanos no Irã, levando o Tribunal Revolucionário de Teerã a sentenciá-lo a 15 anos de prisão.

Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã (ICHRI): Mesmo como prisioneiro político no Irã, Arash Sadeghi ainda está colocando as necessidades dos outros acima das suas. @ICHRIEsta é a história de amor de Arash Golrokh #FreeArashGolrokh

“Fui acusado de ‘conluio contra a segurança nacional’ porque apoiei um grupo de estudantes pobres a quem foi negada educação”, o Centro de Direitos Humanos no Irã relatou essa declaração de Sadeghi depois que um tribunal de apelações confirmou sua sentença em 2016.

Sadeghi também foi acusado de “espalhar mentiras no ciberespaço” e “insultar o Fundador da República Islâmica [Ayatollah Ruhollah Khomeini]” por citar declarações históricas e oferecer uma análise sobre eventos no Irã nos anos 1980 em sua página no Facebook.

O advogado de Sadeghi não teve permissão para acompanhá-lo até a sessão de abertura de seu julgamento, nem permissão para ler o arquivo completo do caso. Hoje, autoridades da prisão e dos tribunais estão negando a Sadeghi tratamento médico adequado para um tumor como punição adicional.

Falando a um público de americanos iranianos na Califórnia em julho, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reiterou* o forte apoio dos Estados Unidos ao povo iraniano. Ele disse que os cidadãos iranianos “foram maltratados por um regime revolucionário. Os iranianos querem ser governados com dignidade, responsabilidade e respeito”.

* site em inglês