Poucas coisas feitas pelo homem poder ser vistas a uma distância de 50 km acima da Terra: as pirâmides de Giza, no Egito; partes da Grande Muralha da China; e não muito mais. Porém, se uma organização sem fins lucrativos na África do Sul conseguir o que quer, em poucos anos a bandeira do país vai se juntar a essa lista curta.

A bandeira gigante* — do tamanho de 66 campos de futebol — será composta de 2,5 milhões de suculentas do deserto (plantas espessas, incluindo cactos, que armazenam água e são adequadas para climas áridos) em vermelho, verde, azul e amarelo.

A ideia se originou durante a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. Os sul-africanos de todas as origens seguraram a bandeira, disse Guy Lieberman, chefe de desenvolvimento de novos negócios ecológicos e sociais para a agência de publicidade FCB South Africa. “Nossa bandeira realmente floresceu”, afirmou Lieberman. Ele teve a ideia de dar continuidade àquele orgulho nacional com alguma coisa grande. Em 2015, o projeto Bandeira Gigante foi um dos indicados entre as “10 Ideias para Mudar o Mundo*” da rede de televisão CNN.

Para a região de Camdeboo na África do Sul, um deserto localizado entre Johanesburgo e a Cidade do Cabo, a bandeira será mais do que uma curiosidade. As plantas vão eliminar 87.300 toneladas de dióxido de carbono da atmosfera ao ano, de acordo com a organização sem fins lucrativos. A parte preta da bandeira será um campo solar de 4 megawatts no topo de edifícios comerciais, incluindo um hotel e um centro de convenções.

O nível de desemprego em Camdeboo tem oscilado em torno de 40%, e a maioria dos desempregados é composta de mulheres. A maioria dos empregos está relacionada à criação de ovinos e avestruzes. O projeto Bandeira Gigante espera aliviar as dificuldades econômicas “não a partir do início desta caridade fantástica”, declarou Lieberman, mas através do que ele chama de “capitalismo solidário”.

Torcedores de futebol acenam bandeiras da África do Sul durante a Copa do Mundo de 2010 (© AP Images)
O projeto Bandeira Gigante foi inspirado pela unidade nacional da África do Sul representada durante a Copa do Mundo de 2010 (© AP Images)

O projeto Bandeira Gigante espera que a construção, o plantio e a manutenção da bandeira criem mais que 700 empregos para os povos indígenas locais. Eles prometeram que as mulheres representarão 60% dessas contratações. Até agora, o terreno para o projeto foi assegurado e o zoneamento e o plano de negócios foram aprovados. Prevê-se que todo o projeto custe US$ 11 milhões.

Uma campanha de financiamento coletivo via web* (crowdfunding) oferece a qualquer pessoa a oportunidade de adotar uma planta ou um painel solar. Lieberman também está pedindo o apoio de empresas; o Banco de Desenvolvimento da África Austral, a Google e a Toyota estão entre os primeiros a apoiar o projeto. O Departamento de Assuntos Ambientais da África do Sul também está oferecendo o seu apoio. O projeto planeja vender energia solar e informa que os lucros pagarão por bolsas de estudo para a Universidade Metropolitana Nelson Mandela e por melhorias e microcréditos na região.

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*site em inglês