Os tártaros crimeanos em Simferopol enxugam as lágrimas por ocasião do aniversario em 2004 da deportação forçada realizada por Stalin (© AP Images)

As autoridades de ocupação russas proibiram os tártaros da Crimeia* de assinalar a data de aniversário de uma deportação em massa e forçada efetuada pelo líder soviético Joseph Stalin. Somente os eventos sancionados pelas autoridades foram autorizados a prosseguir.

Até 2014, algumas dezenas de milhares de tártaros crimeanos se reuniam anualmente na praça central em Simferopol, capital da Crimeia, para comemorar o dia 18 de maio, data em 1944 em que Stalin deportou 230 mil tártaros da Crimeia**. Forçados a se amontoar em vagões de gado, muitos tártaros morreram a caminho dos Montes Urais, da Sibéria e da Ásia Central. Os que sobreviveram enfrentaram fome, doenças e repressão. Quase metade — a maioria mulheres e crianças — morreu entre 1944 e 1947.

“[Esta é] a terceira vez que os tártaros crimeanos enfrentam proibições e perseguições em razão de lembrar das vítimas do crime de Stalin”, escreve Halya Coynash, ativista de direitos humanos.

Os Estados Unidos e a União Europeia*** reiteraram sua preocupação no tocante à deterioração dos direitos humanos na península. “A Rússia deve pôr fim à sua repressão contra os tártaros crimeanos e todas as pessoas que são vítimas de sua ocupação”, afirmou Daniel Baer, embaixador dos EUA para a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

“A perseguição contra o povo tártaro da Crimeia não representa meramente um fato histórico; representa uma realidade atual na Crimeia ocupada pela Rússia”, disse Baer.

Hoje, a Rússia intimida e reprime exatamente as mesmas pessoas:

Todos os meios de comunicação foram fechados, com exceção de um independente que transmite programação no idioma tártaro e que opera na Crimeia, incluindo a rede de televisão ATR, o primeiro canal dedicado aos tártaros da Crimeia.

Em fevereiro, as autoridades russas invadiram as casas dos vilarejos tártaros e prenderam pelo menos 13 pessoas. Quatro ativistas foram detidos sob a acusação forjada de “terrorismo”.

Em 26 de abril, o chamado Supremo Tribunal da Crimeia proibiu o Mejlis — órgão representativo do grupo de minoria étnica, criminalizando**** a expressão política tártara, de acordo com a representante permanente dos EUA nas Nações Unidas, Samantha Power.

Em 6 de maio, a polícia invadiu uma mesquita crimeana* e prendeu mais de 50 tártaros por não portarem seus passaportes.

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* site em inglês, russo e ucraniano
** site em inglês e russo
*** site em inglês e ucraniano
**** site em inglês