Um escândalo, um professor de ética e até onde um estudante foi para contar a história

Sharon Gekoski-Kimmel/The Philadelphia Inquirer

Vinny Vella trabalha no turno da noite no jornal Philadelphia Daily News, e chega a cenas do crime para documentar o que aconteceu. Quando um adolescente foi morto a tiros em uma quadra de basquete, Vinny estava lá para testemunhar os amigos e familiares que lamentavam sua perda.

“Eu sempre digo a mim mesmo que se eu não fizesse o trabalho que faço, e nem os meus colegas, ninguém saberia sobre isso. E a desinformação ou falta de informação é sempre pior do que a transparência”, afirmou Vinny.

Vinny, que tem 23 anos de idade, começou a levar o jornalismo a sério no início de sua carreira, como estudante-editor na Universidade La Salle. Um reitor da Escola Católica na Filadélfia impediu que Vinny publicasse uma matéria exclusiva sobre um professor que tinha contratado dançarinas de strip-tease para um seminário sobre ética.

“A desinformação ou a falta de informação é sempre pior do que a transparência.” 

Jornais universitários em universidades públicas são tipicamente livres para fazer a cobertura de notícias como suas equipem bem entenderem. Mas faculdades particulares como a La Salle podem impor controles mais rígidos. Muitas vezes, quando colocam isso em prática, grupos de defesa como o Centro Estudantil da Lei de Imprensa ou a Fundação para os Direitos Individuais na Educação fazem um alarde tão grande que os líderes das faculdades recuam.

Apesar de estarem entre os primeiros a saber sobre o escândalo envolvendo o professor da La Salle, Vinny e o coeditor perderam a oportunidade de publicar o furo jornalístico — outras agências de notícias descobriram o incidente e noticiaram.

Depois que a história se tornou pública, o reitor permitiu que Vinny publicasse uma versão da história no jornal estudantil da faculdade, mas somente se a matéria fosse publicada na parte inferior da primeira página, em comparação à parte acima da dobra, que é onde os jornais tradicionalmente inserem as notícias mais importantes.

Vinny acatou, mas o reitor não tinha ideia de quão longe ele iria para proteger algo em que acreditava: uma imprensa livre. “Queríamos tomar uma posição”, recorda-se. Em uma manobra que iria dar início à sua carreira e se tornar manchete, Vinny deixou a metade superior da primeira página em branco, com exceção das palavras: “Leia abaixo da dobra.”

Quer saber mais e se envolver? Confira a campanha de liberdade de expressão da Freedom House (Casa da Liberdade) e as subvenções da Fundação Ford para promover a liberdade de expressão em todo o mundo.

Mark Trainer e o escritor freelance Christopher Connell contribuíram com este artigo.