Os mascotes são muito populares nas universidades americanas. Eles animam as adoradas equipes esportivas de sua faculdade e entretêm multidões. Mas um grupo de mascotes tigre representando escolas de todo os EUA está se unindo para proteger tigres reais que vivem na natureza.

O atrativo do tigre como mascote é baseado em seu status como o maior dos grandes felinos. No entanto, alguns mascotes envolvidos na iniciativa são bonitinhos e fofinhos, como o fantasiado de Aubie na Universidade de Auburn. (O escritor esportivo Jacob Kornhauser diz que “essencialmente, Aubie parece com um bibliotecário que por acaso é um tigre”.) Outros são mais ameaçadores como o fantasiado de tigre dentuço rosnento da Universidade de Towson, chamado de Doc.

Divertidos ou ferozes, os mascotes universitários querem espalhar a mensagem de que os tigres estão em perigo. Das nove subespécies de tigre que são geralmente reconhecidas, três são consideradas extintas. Apenas 3.200 tigres permanecem na natureza hoje, comparados com os 100 mil de um século atrás.

A coalizão Tigers pelos Tigres* aproveita o entusiasmo de 56 universidades com mascotes tigre, seus 450 mil estudantes universitários e 6,5 milhões de fãs para salvar tigres selvagens, disse Sean Carnell, o “gerente nacional de campanha de espírito” para a coalizão. Ele se tornou ativo na iniciativa quando era estudante na Universidade de Clemson, que tem um tigre de Bengala como mascote. Clemson iniciou sua própria iniciativa Tigers pelos Tigres em 1997.

A Coalizão Tigers pelos Tigres faz parte da Associação do Refúgio Nacional da Vida Selvagem* e usa as mídias sociais, os programas de defesa e projetos no exterior para ajudar a proteger os tigres.

“Os estudantes universitários podem trazer entusiasmo, energia e abordagem nova e fresca em prol da preservação do tigre”, disse Carnell. No verão passado, por exemplo, a coalizão atingiu cerca de 27 milhões de pessoas através da hashtag #WhereRtheTigers* (onde estão os tigres) no Twitter durante o Dia Internacional do Tigre*.

O mascote Aubie, da Universidade de Auburn, cumprimenta fãs antes de um jogo de futebol americano universitário contra o estado de Mississippi em 2015 (© AP Images)

Desde seus bigodes à sua pelagem listrada gloriosa, quase todas as partes do tigre são vendidas no mercado negro por um monte de dinheiro. Algumas culturas falsamente pensam que partes dos tigres curam reumatismo, convulsões, febre tifóide e disenteria. Os ossos de tigre foram esmagados e adicionados a vinhos.

Os tigres também estão ameaçados pela perda de hábitat. O tigre uma vez vagou por toda a Ásia chegando ao Extremo Oriente russo. Atualmente, sobrevive apenas em populações dispersas da Índia ao Vietnã, do sul à Indonésia, na China e no Extremo Oriente russo.

A Tigers pelos Tigres apoia a pesquisa de pós-graduação sobre tigres. Um exemplo é o trabalho que Vratika Chaudhary, estudante de mestrado na Universidade de Clemson, está fazendo na Índia, lar de 70% da população de tigres selvagens do mundo.

Seu interesse por tigres começou vários anos atrás, quando ela estava fazendo um curso de cirurgia dentária em Kolkata, na Índia. Durante suas visitas para realizar acampamentos de saúde bucal, ouviu histórias sobre os conflitos entre os homens e os tigres. A escola dental está perto de um dos hábitats de tigres mais especiais do mundo — os Sundarbans, um manguezal que se estende entre a Índia e Bangladesh.

“À medida que eu aprendia mais sobre a perda de biodiversidade, a fragmentação do hábitat e outras questões de conservação no sul da Ásia, percebi que havia uma grande necessidade de pesquisa científica e decidi deixar a minha carreira odontológica”, disse Chaudhary.

Ela trabalhou como naturalista de campo no Parque Nacional de Kanha na Índia durante um ano e, em seguida foi para a Universidade de Clemson em 2013 para começar a pesquisa sobre ameaças de doenças infecciosas para tigres e outros carnívoros selvagens na Índia. “Os pesquisadores desempenham um papel cada vez mais importante na conservação do tigre”, disse ela.

A Tigers pelos Tigres também é ativa na Rússia, lar de 450 tigres Amur. Todas as iniciativas fazem parte do interesse global de proteger as espécies. Três de março é o Dia Mundial da Vida Selvagem.

* site em inglês