Um pontapé inicial para a nova geração de talentos tecnológicos da África

Grande grupo de pessoas posa para foto (Cortesia: Andela)
Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, com bolsistas da Andela em Lagos, na Nigéria. Andela recentemente recebeu US$ 24 milhões da Iniciativa Zuckerberg Chan e de outras fontes de capital de risco para expandir suas atividades (Foto: cortesia)

Andela pensa grande.

A empresa de desenvolvimento de talento e software com sede em Nova York tem como objetivo encontrar e preparar os melhores programadores da África — milhares deles.

Desde que montou campi universitários em 2014 em Lagos, na Nigéria, e em Nairóbi, no Quênia, Andela recebeu uma avalanche de formulários de inscrição, em torno de 40 mil. A empresa selecionou 250 candidatos para bolsas de estudo remuneradas de quatro anos para trabalhar com líderes em tecnologia como Udacity, Microsoft e Facebook.

Andela recentemente recebeu um voto de confiança no valor de US$ 24 milhões do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e de Priscilla Chan, da Iniciativa Chan Zuckerberg* e de outras fontes de capital de risco. Está usando a verba para abrir um terceiro campus e se tornar uma grande capacitadora tecnológica em todo o continente.

Grupo de pessoas sentadas em círculo (Cortesia: Andela)
Para cada novo grupo, Andela analisa mil candidaturas, realiza entrevistas, leva cerca de 24 candidatos para um boot camp (acampamento para fins de treinamento intensivo) e escolhe seis ou oito bolsistas (Foto: cortesia)

“Nossa missão é encontrar a próxima geração de líderes tecnológicos em todo o continente e fazer sua carreira decolar”, afirmou Christina Sass, cofundadora e diretora de operações.

Por suas realizações e metas voltadas para o social, Andela é recipiente do Prêmio de Excelência Corporativa 2016, concedido pelo secretário de Estado dos EUA. O prêmio homenageia empresas que exemplificam o melhor dos valores americanos na forma como operam no exterior.

Os clientes de primeira da Andela engajam os bolsistas para trabalhar à distância em seus projetos de software. Os bolsistas têm a oportunidade de voar para Califórnia, Nova York, Boston e outros lugares por algumas semanas a fim de começar a trabalhar com equipes tecnológicas das empresas.

A idade média dos bolsistas é inferior a 25. Um em cada cinco é do sexo feminino. A maioria já havia se formado em Ciência da Computação ou Engenharia quando começou o programa de bolsa de estudos remunerada de quatro anos de duração. No entanto, muitos estavam “subempregados, presos a um cargo de TI em um banco ou à procura de trabalho”, afirma Christine.

Close de mulher sentada com outros (Cortesia: Andela)
O amor por videogames levou Tolulope Komolafe a estudar Ciência da Computação e ganhar uma cobiçada vaga no boot camp da empresa Andela voltado para produtores de software promissores (Foto: cortesia)

Tolulope Komolafe se encontrava nessa categoria. Ela havia lecionado por um ano e estava buscando um emprego desafiador, quando tomou conhecimento da Andela. Ela hoje faz parte de uma equipe de codificadores em uma empresa de Nova York, Everplans, que ajuda famílias a planejar os cuidados necessários na última fase da vida.

“Eu adorava videogames e sempre quis saber como funcionavam”, afirmou Tolulope, de 26 anos de idade, que aprendeu a codificar com a ajuda de livros didáticos. Ela não teve acesso a um laptop até chegar ao último ano de faculdade.

Agora ela se imagina futuramente como “uma líder de tecnologia e dona da própria empresa. Creio que posso competir com qualquer produtor de software de qualquer parte de mundo”.

Embora os bolsistas não tenham a obrigação de permanecer na África, os fundadores da Andela esperam que eles o façam.

* site em inglês