Veja a primeira imagem já registrada de um buraco negro


Até hoje, tudo o que conhecemos sobre os buracos negros — objetos celestes com intensa gravitação — advém de teorias e ilustrações.

Agora, graças a uma colaboração internacional chamada Event Horizon Telescope (EHT) (Telescópio Horizonte dos Eventos, em tradução livre), existe um retrato cósmico de um buraco negro supermaciço.

No centro da galáxia Messier 87 (M87) na constelação de Virgem, o buraco negro aparece como uma sombra redonda e escura rodeada por uma luz ofuscante, conhecida como horizonte de eventos, ou o ponto de não retorno onde a matéria é sugada para o interior do buraco negro por sua incrível força gravitacional. Nada, nem mesmo a luz, pode escapar do abismo.

A equipe do EHT é liderada por Sheperd Doeleman, criador do projeto EHT e diretor do Centro Harvard-Smithsoniano de Astrofísica. Produzir esse primeiro vislumbre já registrado de um buraco negro supermaciço “é um extraordinário feito científico realizado por uma equipe de mais de 200 pesquisadores”, disse ele.

Entre esses pesquisadores está Katie Bouman, estudante de pós-graduação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Ela fazia parte de uma equipe que desenvolveu algoritmos a fim de reunir dados e verificar a precisão da imagem final.

O financiamento para esse grande avanço incluiu US$ 28 milhões da Fundação Nacional de Ciência durante as duas décadas desde a criação do EHT.

Fundação Nacional de Ciência: Como os cientistas da Fundação Nacional de Ciência financiaram o telescópio EHT e capturaram a primeira imagem de um buraco negro. #EHTBlackHole #RealBlackHole #NSFFunded @ehtelescope @NSF

A Nasa também desempenhou um papel crucial em tornar visível o que antes era considerado invisível. Várias naves espaciais da Nasa contribuíram com pesquisas e anos de trabalho empírico de base.

Instituições parceiras internacionais se espalharam pelo mundo, da Holanda ao Japão e até o Chile.

Os telescópios

O EHT é composto por oito telescópios* localizados em seis montanhas e quatro continentes. Juntos, eles criam uma matriz virtual do tamanho da própria Terra. Nenhum telescópio poderia fotografar um buraco negro 6,5 bilhões de vezes mais pesado que o nosso Sol e distante 55 milhões de anos-luz da Terra.

Os recursos de imagem da matriz do EHT produzem uma resolução fina o suficiente para ler um jornal em Nova York a partir de um café em uma calçada de Paris.

Os telescópios estão localizados em alguns dos lugares mais remotos da Terra, incluindo vulcões no Havaí e no México, nas montanhas do Arizona e na Sierra Nevada espanhola, no Deserto do Atacama no Chile e na Antártida.

“Como todas as grandes descobertas”, disse Doeleman à NPR, “essa é apenas o começo”.

* site em inglês